Educação infantil

Páginas: 6 (1480 palavras) Publicado: 12 de setembro de 2012
O que nos perguntamos é se as drogas não seriam antes que um mal, apenas o sinal, o fuga, o ponto de aplicação de estratégias de poder de uma sociedade que surge da tensão entre duas vontades interligadas: a da liberdade e a da segurança. Vontade de liberdade que se expressa, neste caso, na resistência às coerções contra as drogas, mas que motiva uma vontade de segurança que busca limitar osefeitos dessa liberdade considerada suspeita e perigosa (pois facilmente confundida com a liberdade natural, uma vez que, no caso, se exerce na transgressão da lei). Vontade de segurança que, por sua vez, se expressa na construção de uma coletividade que leva ao paroxismo as preocupações com os danos, organizando um corpo de leis e normas rígidas, que conjuram a probabilidade dos danos prevenindo egerindo antes os riscos. Ações que consequentemente retroalimentam a própria “vontade de liberdade” que, em um círculo vicioso, faz recrudescer a vontade de segurança. Ambas, enfim, acabam por influenciar respostas públicas e privadas de interdição e tolerância a um mal inescapável para o qual ora o único controle é a redução dos danos (já que, se o risco social é mais que uma hipótese, o riscoindividual não é apenas provável, mas um dado imediato da experiência) ora é a gestão dos riscos (pois, para essa perspectiva, os danos atualizados do risco social são intoleráveis mesmo como mera hipótese).
O que se procurou nesse trabalho foi então entender como as drogas fazem parte das relações de força que constituem o mundo contemporâneo; ou, dito de outra maneira, entender como se constituia subjetividade atual, forjada na tensão entre interdição e tolerância às drogas e a possibilidade da sociedade ser reduzida a uma espécie de totalitarismo farmacológico, mas justamente, deixar de ser assombrado por ele. Não se trata, tampouco, de acreditar que o gosto pelas drogas é determinado apenas ou primeiramente pelos mafiosos, pelos interesses do mercado, ou pela indústria farmacêutica.Isso seria reduzir o problema a uma questão moral – um retorno ingênuo ao sujeito a priori (ou seja, inato), alienado de suas capacidades desde sempre dadas e vítima dos sistemas de ideias. Não se trata, enfim, de se acreditar na possibilidade da integridade de caráter de uns poucos homens de boa vontade, que seriam capazes de nos dizer o reto caminho da felicidade, livre das drogas e do risco domelhoramento. O importante, na verdade, é avaliar como as drogas se inserem – ou são inseridas – nas estratégias de relações sem estrategista (já que não se trata da ação de um sujeito constituinte da história) que nos atualizam. As doenças são adquiridas através do uso dessas drogas, ao usa-las o individuo corre esse risco.
A liberdade e a segurança de viver em sociedade diante da possibilidadede usar ou não drogas, de escolher entre aquelas boas ou más, de tornar eficaz algum sistema de tratamento aos que cedem (porque não se trata de negar as alegrias, nem o potencial venenoso das drogas e suas consequências ou a possibilidade da sociedade de ser reduzida a uma espécie de totalitarismo farmacológico, mas justamente, deixar de ser assombrado por ele. Não se trata, tampouco, de acreditarque o gosto pelas drogas é determinado apenas ou primeiramente pelos mafiosos, pelos interesses do mercado, ou pela indústria farmacêutica. Isso seria reduzir o problema a uma questão moral – um retorno ingênuo ao sujeito a priori (ou seja, inato), alienado de suas capacidades desde sempre dadas e vítima das ideologias. Não se trata, enfim, de se acreditar na possibilidade da retidão de caráterde uns poucos homens de boa vontade, que seriam capazes de nos dizer o reto caminho da felicidade, livre das drogas e do risco da adição. O importante, na verdade, é avaliar como as drogas se inserem – ou são inseridas – nas estratégias de relações sem estrategista (já que não se trata da ação de um sujeito constituinte da história). É inegável que cada vez mais buscamos produzir a...
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