EDUCAÇÃO FEMININA E SOCIABILIDADES NA AMÉRICA PORTUGUESA: A MULHER ENTRE O LAR E O TRABALHO NA COMARCA DO RIO DAS VELHAS (1750/1800)

Páginas: 28 (6865 palavras) Publicado: 19 de outubro de 2013
EDUCAÇÃO FEMININA E SOCIABILIDADES NA AMÉRICA
PORTUGUESA: A MULHER ENTRE O LAR E O TRABALHO NA
COMARCA DO RIO DAS VELHAS (1750/1800)i

Cláudia Fernanda de Oliveira
Rede Municipal de Belo Horizonte
claudiananda@yahoo.com.br

Palavras-chave: educação, mulher, período colonial.
Afastadas da administração colonial, as mulheres que tinham a necessidade de obter
o sustento com o própriotrabalho, exerciam diversas atividades nas vilas da Capitania de
Minas Gerais. Luciano Figueiredo (1993) afirma que parte significativa das mulheres
negras e mestiças se embrenhou pelo comércio, como é o caso das negras de tabuleiroii e
das mulheres proprietárias de vendas na Capitania. É inegável a participação delas na
economia da Colônia e sua importância para a manutenção de outras atividadescomo é o
caso da mineração. Em grande parte eram essas mulheres as responsáveis pelo
abastecimento das áreas mineradoras com gêneros alimentícios diversosiii.
Outro contingente de mulheres, devido às circunstancias de suas vidas e do
ambiente social e cultural no qual viviam, se envolveram com os ofícios mecânicos, sendo
alguns compartilhados com homens, como é o caso da panificação, datecelagem e da
alfaiataria.iv E finalmente, um número significativo de mulheres exerceu ofícios
exclusivamente femininos, como é o caso das fiandeiras, costureiras, rendeiras e tecedeiras.
Para exercerem tais ofícios as mulheres passavam por um período de aprendizagem, que
como já mencionado anteriormente, poderia acontecer no âmbito da própria família, com as
parentas mais próximas que exerciam oofício, como a mãe, avós ou tias, ou poderia
acontecer também com uma mestra, que tinha o domínio do ofício que pretendia ser
aprendido. Em ambos os casos o aprendizado poderia iniciar ainda na “tenra idade”.
Luciano Figueiredo (1993) afirma que essas ocupações eram consideradas como lícitas
pelas autoridades. Segundo Mary Del Priore
com o adestramento completado entre nove e doze anos,qualquer
menino ou menina participava das tarefas cotidianas de limpar, descascar,
cozinhar, lavar, alimentar os animais domésticos, remendar roupas,
trabalhar madeira, pastorear, estrumar a plantação, regar a horta, pajear
crianças menores da própria casa ou dos vizinhos. (...) Alguns até já teriam
se iniciado em variados ofícios. Escravos ou livres pobres podiam ser
aprendizes de sapateiros,costureiras, torneiros, carapinas, jornaleiros.v

Esse envolvimento das órfãs em atividades domésticas aliadas ao aprendizado e
exercício de ofícios manuais é claramente percebido no inventário de Antônio Francisco da

Silva, homem branco, casado com Ana Maria da Silva, morador em Mateus Leme, distrito
da Comarca do Rio das Velhas. Ele instituiu a mulher para ser a tutora de seus filhosconforme pode ser observado no termo de abertura de seu testamento, feito em 1785, onde
afirma que
estando enfermo (...) eu Antônio Francisco da Silva (...) sou natural da Vila
de [ilégivel] Bispado do Porto, filho legítimo de Manoel Thomé e sua
mulher Maria Francisca da Silva, já falecidos. Também sou casado em face
da Igreja na forma sagrada do Concílio Tridentino por carta de [a metade]
comAna Francisca da Silva de cujo matrimônio tenho os seguintes filhos
(...). Declaro que meu corpo será amortalhado no hábito da Ordem Terceira
de Nossa Senhora do Monte Carmo de quem sou irmão acompanhado do
meu reverendo pároco (...). Instituo por grande capacidade de educação
com que tem criado os meus filhos e [ ] de bons costumes minha mulher e
mãe dos mesmos por tutora e administradora dosmesmos e suas legítimas
(...).vi

O inventariado deixou os seguintes filhos: Manoel Francisco da Silva, 40 anos;
Maria Francisca da Silva (casada com João Antonio de Faria); Ana Francisca da Silva, 24
anos; Josefa Francisca da Silva (casada com Eleutério Ribeiro de Vasconcelos), Joana
Francisca da Silva, 19 anos; Antônia, 17 anos; Antônio, 15 anos; Francisca, 13 anos; Isabel,
11 anos. E...
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