educação do homem burgues

Páginas: 29 (7133 palavras) Publicado: 7 de agosto de 2013
"Vossa Majestade - escrevia Voltaire em 1757 ao seu amigo, o Rei da Prússia - prestará um serviço imortal à Humanidade se conseguir destruir essa infame superstição, não digo na canalha, indigna de ser esclarecida e para a qual todos os jugos são bons, mas na gente de peso.".
Quase vinte anos depois desta carta de Voltaire (1694-1778), Diderot (1713-1784) se dirigia a outra majestade, aImperatriz Catarina da Rússia, e a aconselhava a respeito do Plano de Uma Universidade, destinada a ministrar instrução para todos. Ê bom que todos saibam ler, escrever e contar - dizia ele -:- desde o PrimeiroMinistro, ao mais humilde dos camponeses." E pouco mais adiante, depois de indagar por que a nobreza se havia oposto à instrução dos camponeses, respondia nestes termos: "Porque é mais difícilexplorar um camponês que sabe ler do que um analfabeto."
Ambos eram representantes do Terceiro Estado. Por que, então, opiniões tão opostas? E: que, como já vimos, Voltaire era um intérprete da alta burguesia e da nobreza letrada, ao passo que Diderot representava as aspirações dos artesã os e dos operários. Ê fato bem sabido que o assalto definitivo ao mundo feudal foi comandado pela direita daburguesia, que lhe imprimiu a sua marca, e ainda' que a pequena burguesia, sob o impulso de Robespierre, tenha conseguido arrastar a grande burguesia até conseqüências extremas, também não é menos verdade que esse controle não esteve durante muito tempo em suas mãos. Tão logo a burguesia conseguiu triunfar, pôde-se ver que a "humanidade" e a "razão" que tanto havia alardeado não passavam da humanidadee da razão "burguesa". Na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, a "propriedade" aparece imediatamente depois da "liberdade", entre os direitos "naturais e imprescritíveis". E se, por acaso, esse segundo artigo da Declaração poder-se-ia prestar a equívocos, aí está o último artigo para dirimir quaisquer dúvidas, afirmando que a propriedade é "um direito inviolável e sagrado". Além disso,um decreto de 14 de junho de 1791 declarava que qualquer coligação operária constituía "um atentado à liberdade e à Declaração dos Direitos do Homem", passível de ser punida mediante uma multa de quinhentas libras e a cassação, por um ano, dos direitos da cidadania ativa. . .
As palavras grandiloqüentes desfaziam-se no ar, os ideais "magníficos" deixavam a descoberto a realidade pobre e mesquinha.É verdade que, agora, a Catedral de Notre Dame era o Templo da Razão, mas a burguesia se incomodava tão pouco com a nova deusa que dois de seus representantes mais conspícuos - Talleyrand e Saint-Simon - tiveram de amargar durante uma temporada nas celas de Santa Pelágia porque foram surpreendidos negociando nada menos do que com o próprio chumbo do Templo da Razão... Danton, o orador inflamadoe eloqüente, não perdia nenhuma oportunidade para realizar um bom negócio, mesmo que .eles - como o provou Mathiez - implicassem alguma traição à Pátria. E, para que nada faltasse a essa crua realidade, o próprio Rouget de L'Isle, o próprio autor do canto de guerra da Revolução, compôs algumas décadas depois outro hino, chamado O Canto dos Industriais... A Revolução, que começara com um clamorosoapelo aos "filhos da pátria", terminava em benefício exclusivo dos "filhos da indústria" . . .
As massas exploradas da Antigüidade e do Feudalismo apenas haviam trocado de senhor. Para que a burguesia conseguisse realizar o seu prodigioso desenvolvimento não eram suficientes o desenvolvimento do comércio e o alargamento quase mundial do mercado. Era preciso, além disso, que exércitos compactos detrabalhadores livres fossem recrutados para oferecer os seus braços à burguesia. Esse "trabalhador livre" surgiu na história nos fins do século XV e começos do século XVI. A ruína do mundo feudal libertara os servos, da mesma forma que a queda do mundo antigo havia emancipado os escravos. O empobrecimento dos senhores feudais obrigou-os a dissolver as suas hostes e a liquidar as suas cortes, ao...
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