Educação como Exercício do Poder: crítica ao senso comum em educação

Páginas: 6 (1459 palavras) Publicado: 27 de outubro de 2014
Educação como Exercício do Poder: crítica ao senso comum em educação
Vitor Henrique Paro
Editora Cortez, São Paulo, 2010, 103 p.
Editado pela Cortez, em sua segunda edição, Educação como Exercício de Poder: crítica ao senso comum, é uma obra elaborada por Vitor Henrique Paro, professor titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do “Grupo de Estudos ePesquisas em Administração Escolar” (Gepae), além de autor de outras obras direcionadas à reflexão sobre o tema da educação.
O livro discute os diversos sentidos pelos quais se pode conceber a definição de “poder” na execução da docência, ressaltando a distinção entre autoridade e autoritarismo, especialmente no que tange a relação professor-aluno. O autor comenta sobre as relações de poder nosentido de autonomia do educando, evidenciando a diferença entre a persuasão e a manipulação, e o grande foco de seu livro é o de propor uma nova visão referente ao processo de educação, criticando abertamente o senso comum e dando uma nova noção sobre a palavra “educar” e suas significações.
O autor parte do pressuposto de que Educação é a apropriação da cultura inteira e nesse aspecto eleentende que a escola deve realizar outras atividades além das propostas em seus currículos, que seria a inclusão de valores, ciência, arte e toda a definição de cultura, compreendendo-se que esta é tudo aquilo que é realizado pelo homem ao longo de sua existência.
Ao observarmos a posição de Paro em relação a autonomia do educando, identificamos relações com as ideias de outros teóricos renomados.Paro defende, por exemplo, que o professor deve proporcionar condições para que o aluno tenha vontade de aprender, utilizando o poder da persuasão (que difere-se da manipulação, por correr o risco de “não persuadir”), dando ao educando a chance de ser agente do próprio conhecimento, a fim de instigá-lo a querer aprender, ao invés de, como na educação tradicional, apenas transmitir-lheconhecimentos prévios.
Esta maneira equivocada sobre educar é duramente condenada também por teóricos da educação, como Paulo Freire, o qual observa a docência sob a ótica da “formação” do aluno no sentido mais amplo, tornando-o um ser autônomo, devendo, para tanto, o primeiro despertar no docente a capacidade de procurar por respostas: “É nesse sentido que reinsisto em que formar é muito mais do quepuramente treinar o educando no desempenho de destrezas...” (1996:6). Freire ainda insiste em que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (1996:12).
Em entrevista ao jornal Tal, Paro reforça a sua tese sobre educação mostrando que a escola não é um lugar apenas para transferência de conhecimentos, mas, ela deve ir além disso,proporcionando o acesso a toda forma de cultura, como crenças, filosofias e artes. A temática de Paro concernente a educação tem grande ligação com as teorias de Vygotsky (1896-1934), na qual este defende que o educador é um intermediador no processo de aprendizagem, sendo portanto, necessário ao educando buscar ampliar seu conhecimento através de atividades colaborativas.
Essa estrutura dasescolas tradicionais, nas quais não vê o aluno como sujeito, mas como objeto do conhecimento, são fortes, ainda hoje, e foram fundamentadas por Aristóteles (384-322 a.C), precursor do Empirismo e favorável a um ensino pela imitação sendo as atividades propostas, as que facilitam a memorização, como a repetição e a cópia, conforme observados por Hourdakis (2001: 84).
Com esta forte estrutura, temosque considerar a dificuldade que Paro e os demais educadores tiveram para moldar e reestruturar o ensino para o pensamento progressista, e que tiveram início a partir de Piaget (1980), cuja teoria defende que o conhecimento é elaborado pelo sujeito, e não apenas transmitido pelo mestre. A partir dessa compreensão, encontramos outro ponto de problema no tocante a prática da educação nos dias...
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