Economia política da crise 10 de janeiro 2009

Páginas: 5 (1140 palavras) Publicado: 2 de outubro de 2012
ECONOMIA POLÍTICA DA CRISE
10 de janeiro 2009

Encontrei em um sebo um antigo livro de Peter Drucker, A REVOLUÇÃO INVISIVEL, Como o Socialismo Fundo de Pensão Invadiu os Estados Unidos (São Paulo, Editora Pioneira, 1977). O livro foi visionário. Uma leitura atenta do mesmo vai mostrar que Drucker conseguiu fazer a economia política dos fundos de pensão, destrinchando as contradições internasdo seu modo de funcionamento. Meu ponto é que não compreenderemos a sociedade norte-americana de hoje sem voltar ao que Drucker escreveu. Toda a crise que estamos vivendo de certo modo está lá antevista.

Parece maluquice, mas dizer que a sociedade norte-americana caminhou decisivamente para uma forma socialista é a expressão da pura verdade. Meus leitores deverão lembrar-se da resenha quefiz do livro do Jonah Goldberg, LIBERAL FASCISM, no qual o autor mostra a evolução das forças políticas nos EUA ao longo do século XX. Goldberg demonstra que a sociedade norte-americana tornou-se essencialmente fascista, dando destaque para Hillary Clinton, que à época da publicação do livro parecia ser a provável vencedora da disputa das prévias do Partido Democrata. Obama ganhou, mas só oconseguiu com o apoio do clã Clinton, ele que está à esquerda da sua adversária nas prévias.

O livro de Drucker vai mostrar que o mesmo movimento em busca socialismo aconteceu na base real da economia, com o chamado socialismo de fundos de pensão. O fenômeno político está perfeitamente refletido na infraestrutura econômica. Podemos ver o tom de alarme de Drucker (escrito em 1975) já no primeiroparágrafo do livro:

“Se o ‘socialismo’ for definido como ‘a propriedade dos meios de produção pelos trabalhadores’ – e essa é não só a definição ortodoxa, como também a única rigorosa – então os Estado Unidos são a primeira nação realmente ‘socialista’. Através de seus fundos de pensão, os empregados das empresas americanas possuem hoje, no mínimo, 25% do capital acionário destas, o que é mais do quesuficiente para o controle”.

Números mais recentes dão conta de que os fundos de pensão detêm cerca de 40% do estoque das ações das principais empresas. Seus ativos, no final de 2007, somavam cerca de US$ 6 trilhões, para um PIB estimado em cerca de US$ 15 trilhões, o que mostra o tamanho dessa indústria e o seu poderio econômico.

Essa realidade explica muito da dinâmica política queestamos a ver na administração da crise econômica. A lógica das corporações passou a refletir a lógica dos sindicatos dos trabalhadores e das associações de aposentados. Os interesses cristalizados tornaram-se poderosos. A disposição dos governantes para fazerem bailouts, especialmente aqueles anunciados para a indústria automobilística, só faz sentido se tivermos essa realidade política em vista. AGM, por exemplo, tem cerca de 100 mil empregados e 400 mil pensionistas. O resgate portanto não é para dar sobrevida à indústria, mas aos aposentados, que têm uma enorme influência política. A lógica dos fins foi substituída pela lógica dos meios.

Drucker mostra que há uma crescente transferência de rendas para os empregados, via fundos de pensão, que chega a superar o que se paga ao governo, atítulo de impostos, e aos acionistas como dividendos. Ele sublinha que, quando os empregados tornam-se proprietários de ações, o imposto de renda sobre o lucro das empresas transforma-se em uma espécie de tributação altamente regressivas. O rico capitalista de outrora deu lugar ao pequeno assalariado participante do fundo de investimentos, que é um fundo de pensão.

As corporações agora sãoadministradas por burocratas que, por sua, vez, reportam-se a burocratas do governo. Há um conluio de burocratas cuja lógica suplanta a criatividade e o empreendedorismo necessários para o bom funcionamento da sociedade capitalista. Eis a razão da tolerância da sociedade norte-americana ao crescente intervencionismo governamental e à crescente taxação, fatos ocorridos ao longo de todo século XX....
Ler documento completo

Por favor, assinar para o acesso.

Estes textos também podem ser interessantes

  • Crise economia 2009
  • Economia e política na crise global
  • Os reflexos da Crise de 1929 na economia e na política do Brasil
  • Economia 2009
  • Economia 2009
  • Desde 1 De Janeiro De 2009
  • Crise atual é pior que a de 2009
  • Crise econômica 2008 e 2009

Seja um membro do Trabalhos Feitos

CADASTRE-SE AGORA!