Doença holandesa no brasil

Páginas: 7 (1598 palavras) Publicado: 20 de maio de 2011
O debate econômico acerca da possibilidade da economia brasileira sofrer com a doença holandesa se iniciou após o regime de câmbio fixo ter-se alterado em 1999 para cambio flutuante, devido às diversas crises econômicas nos países emergentes, como a crise de 1997 nos Tigres Asiáticos e em 98 na Rússia.

O sintoma dessa doença foi descrito primeiramente por um artigo publicado por The Economist(1977) e teorizado por Cord e Neary (1982), onde compreendem a apreciação cambial como resultado de aumento dos preços de recursos naturais que leva à desindustrialização devido a perda da competitividade da indústria manufatureira. The Economist (1977) apresentou esses fatos observando a indústria holandesa nos anos 70 e os associou à descoberta das grandes reservas de gás natural no Mar do Nortenos anos 50.

No Brasil, o debate sobre o potencial problema foi conduzido principalmente pelas análises conjunturais com abordagem formal como em Schwartsman (2008, 2009) e por trabalhos acadêmicos como em Bresser-Pereira (2008) e Nassif (2008).

Este trabalho analisará a hipótese do Brasil ter apresentado sintomas da doença holandesa no período de 1999, após a mudança do regime cambial, a2008.

Modelos teóricos de doença holandesa

O termo “doença holandesa” foi primeiramente utilizado em um artigo publicado na revista The Economist (1977) o qual analisava o efeito das descobertas de gás no Mar do Norte na economia holandesa: estagnação na produção industrial; diminuição dos investimentos privados; aumento do desemprego; apreciação da moeda e déficit crescente em transaçõescorrentes.

Em razão desse artigo, a literatura econômica normalmente se refere à doença holandesa como o fenômeno de perda de competitividade da indústria doméstica e, levando ao extremo, desindustrialização, causada pela redução da importância econômica de alguns setores em decorrência da apreciação cambial advinda do boom dos recursos naturais.

Cord e Neary (1982) tentam modelar o impacto deum boom devido à descoberta de grandes reservas de recursos naturais, sobre uma economia pequena e aberta com três setores (dois de bens comercializáveis, chamados de “energia” e “manufaturas” e um de bem não-comercializáveis, denominados “serviços”) e dois fatores de produção (trabalho móvel entre os três setores e capital).

De acordo com os autores, o primeiro resultado é observado quando oboom de energia aumenta o produto marginal dos fatores móveis empregados nesse setor e retira recursos de outros setores, gerando diversos ajustes no restante da economia. Um desses mecanismos é o ajuste a taxa real de câmbio (definida como a razão entre preços de bens não comercializáveis e bens comercializáveis). Já o efeito-gasto prevê que a maior renda real resultante do boom leva a gastosextras com serviços, o que aumenta o preço dos mesmos, causando apreciação cambial e levando a novos ajustes.

Supondo que trabalho seja o único fator móvel entre os setores e que o capital seja fator específico (portanto, uma análise de curto prazo), o efeito de movimentos de recursos aumenta a demanda por trabalho no setor de energia como resposta ao boom, em um montante proporcional à extensão doprogresso tecnológico. O salário nesse setor se expande, o que causa absorção de trabalho dos demais setores, gerando desindustrialização direta e diminuição na oferta dos outros setores. Já com relação ao efeito gasto, o aumento da renda implica maior demanda por serviços, contrabalançada por aumento no seu preço. Posto isso, a combinação dos dois efeitos gera apreciação real da taxa de câmbio.Nesse modelo, a doença holandesa aparece quando um aumento na produtividade do setor primário causa apreciação real da taxa de câmbio, o que a eleva além do patamar que inviabiliza o investimento, afetando negativamente a expansão do setor secundário.
Os autores determinam três sintomas para a doença holandesa: quanto maior a produção do setor primário, maior será a apreciação da taxa real...
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