Distúrbio de voz e estresse no trabalho docente: um estudo caso-controle

Páginas: 16 (3987 palavras) Publicado: 16 de maio de 2014
Distúrbio de voz e estresse no trabalho docente: um estudo caso-controle
Susana Pimentel Pinto GianniniI,II; Maria do Rosário Dias de Oliveira LatorreI; Leslie Piccolotto FerreiraII
IFaculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil
IIPontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, Brasil

RESUMO
Determinar a associação entre distúrbio de voz e estresse notrabalho em professoras da rede municipal de São Paulo, Brasil é o objetivo deste estudo caso-controle, realizado com professoras com (n = 165) e sem (n = 105) distúrbio vocal. Foram utilizados os questionários Condição de Produção Vocal e Job Stress Scale. Os grupos são comparáveis nas variáveis de controle, diferenciando-se apenas quanto aos sintomas vocais. Houve diferença estatisticamentesignificativa entre os grupos em relação ao estresse no trabalho na condição de alta exigência (OR = 2,1; IC95%: 1,1-3,9), que representa alta demanda associada a baixo controle do trabalho. Concluindo que a condição de alto desgaste associada ao grupo com distúrbio de voz, neste estudo, é a que apresenta maior risco de adoecimento físico e psíquico ao trabalhador. Ao perder a voz, o professor perde apossibilidade de manter-se em sua função, perde sua identidade profissional, o que coloca, em risco, a sua carreira como educador.
Distúrbios da Voz; Docentes; Saúde do Trabalhador

Introdução
O desenvolvimento do distúrbio vocal decorrente do uso profissional da voz tem se mostrado, cada vez mais, associado ao trabalho docente e levado os professores a situações de afastamento e incapacidadepara o desempenho de suas funções, o que implica custos financeiros e sociais1.
Estudos indicam consistente associação entre o ambiente escolar e a ocorrência do distúrbio de voz entre os educadores, especialmente em escolas infantis e fundamentais2. Ruído excessivo, limpeza insatisfatória, iluminação e tamanho da sala inapropriados, entre outros, são fatores associados ao distúrbio de voz doprofessor3,4,5,6.
Características pessoais, como hábito de falar muito ou gritar, e aspectos biológicos, como a presença de alergia ou refluxo faringolaríngeo, associados às características ambientais impróprias da escola favorecem, mas não são causas suficientes para a ocorrência do distúrbio de voz. Aspectos do ambiente físico, químico e biológico afetam psiquicamente o trabalhador,principalmente se intensificados por tempo de exposição ou ritmo da organização do trabalho7. Assim, o trabalho em ambiente ruidoso, com temperatura elevada ou em contato com substâncias químicas irritativas demanda maior esforço para concentração de atenção e, portanto, quanto maior a jornada, maior o desgaste. A intensificação de esforços como forma de lidar com a sobrecarga no trabalho pode ser de ordemfísica, cognitiva ou afetiva7. Há de se considerar, portanto, os aspectos que têm origem nas formas de organização do trabalho docente, referentes ao conteúdo e à divisão do trabalho e às relações interpessoais8.
Como variáveis indicadoras de estresse associadas ao distúrbio de voz de professores, pesquisas indicam experiências de violência na escola, dificuldades de relacionamento no trabalho, baixaautonomia, pouca possibilidade de criatividade nas atividades, falta de tempo para correção de tarefas e provas, além das más condições de trabalho em geral e das mudanças político-educacionais constantes9. Tais características do trabalho docente podem favorecer o adoecimento físico ou psíquico do professor.
Entretanto, ainda que estudos apontem essa associação, não é possível estabelecerrelação causal entre o adoecimento vocal e o trabalho docente, porque, assim como outras doenças funcionais contemporâneas, o distúrbio de voz tem, por característica, a causalidade difusa e complexa, não objetiva e linear.
Considerando o desafio de avaliar os efeitos do trabalho na saúde desses trabalhadores e das diversas propostas teóricas e metodológicas elaboradas na perspectiva de apresentar...
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