Dispnéia

Páginas: 18 (4406 palavras) Publicado: 28 de março de 2012
Medicina, Ribeirão Preto, 37: 199-207, jul./dez. 2004

Simpósio: SEMIOLOGIA Capítulo II

DISPNÉIA
DYSPNEA

José Antônio Baddini Martinez1; Adriana Inacio de Padua2 & João Terra Filho1
1

Docente. 2 Médica Assistente. Pós-graduanda. Divisão de Pneumologia. Departamento de Clínica Médica. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP CORRESPONDÊNCIA: José Antônio Baddini Martinez.Departamento de Clínica Médica. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP Av. Bandeirantes, 3900 - CEP: 14048-900 Ribeirão Preto, SP, Brasil - email: jabmarti@fmrp.usp.br

MARTINEZ JAB; PADUA AI & TERRA FILHO J. 2004.

Dispnéia. Medicina, Ribeirão Preto, 37: 199-207, jul./dez.

RESUMO: Dispnéia é o termo usado para designar a sensação de dificuldade respiratória, experimentada por pacientesacometidos por diversas moléstias, e indivíduos sadios, em condições de exercício extremo. Ela é um sintoma muito comum na prática médica, sendo particularmente referida por indivíduos com moléstias dos aparelhos respiratório e cardiovascular. Esse sintoma é o principal fator limitante da qualidade de vida relacionada à saúde de pacientes pneumopatas crônicos. Apesar de sua importância, os mecanismosenvolvidos com seu surgimento ainda não são completamente conhecidos. Neste artigo, os autores fazem uma pequena revisão de aspectos clínicos e fisiopatológicos desse sintoma. UNITERMOS: Dispnéia. Respiração. Sintomas. Fisiopatologia.

1- INTRODUÇÃO A palavra dispnéia origina-se das raízes gregas dys e pnoia podendo ser traduzida, literalmente, como respiração ruim(1). Na literatura médica, adefinição de dispnéia tem variado entre diferentes autores, mas, geralmente, o termo diz respeito à experiência subjetiva de sensações respiratórias desconfortáveis. Apesar do seu caráter subjetivo, algumas definições antigas misturam o verdadeiro sintoma com a presença de sinais físicos, tais como batimento de asas do nariz ou elevações da freqüência respiratória. Entretanto, a observação desinais indicadores de dificuldade respiratória não pode nos transmitir o que realmente um determinado indivíduo está sentindo. De acordo com um painel de especialistas reunido pela American Thoracic Society para discutir o tema, dispnéia passou a ser definida como “um termo usado para caracterizar a experiência subjetiva de desconforto respiratório que consiste de

sensações qualitativamentedistintas, variáveis em sua intensidade. A experiência deriva de interações entre múltiplos fatores fisiológicos, psicológicos, sociais e ambientais podendo induzir respostas comportamentais e fisiológicas secundárias” (2) . Dispnéia é uma queixa comum em consultórios médicos, tendo sido relatada sua ocorrência em até 20% da população geral. Além de sua presença associar-se a um aumento acentuado damortalidade, esse sintoma está relacionado com grande morbidade e grave limitação para o desenvolvimento de atividades físicas e sociais(1). Estudos têm demonstrado que a dispnéia constitui-se no principal fator limitante da qualidade de vida, relacionada à saúde de pacientes portadores de insuficiência respiratória crônica, seja ela de cunho obstrutivo ou restritivo(3,4). Devido a esses fatos, nosúltimos anos, tem havido um renovado interesse na investigação dos aspectos fisiopatológicos e terapêuticos do referido sintoma. 199

Martinez JAB; Pádua AI & Terra Filho J

2- MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS Para a maioria das pessoas, na maior parte do tempo, respirar é um fenômeno inconsciente. Algumas vezes, entretanto, o referido ato torna-se uma ação consciente, associada a desconforto. Osmecanismos que envolvem o último fenômeno ainda não são completamente conhecidos, muito embora acumulem-se evidências de que estejam envolvidos processos neurológicos variados. Contudo, ao contrário do que acontece, por exemplo, com a dor, cujos estímulos originam-se em terminações nervosas livres, até o momento, não foram descritos receptores especializados de dispnéia. Atualmente, alguns autores...
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