Direito da infância e juventide

Páginas: 20 (4764 palavras) Publicado: 21 de maio de 2012
ABUSO SEXUAL INFANTIL

Para proteger as vítimas, o Globo Repórter preservou a identidade delas. Os rostos não aparecem nas imagens e os nomes foram trocados.
Caminho estreito ou de sombra, não importa. Ela é criança, guarda à chave seu tesouro. Amiguinhas? Não são muitas. Moleca trapezista. Quem sabe, solta no ar, de ponta à cabeça, Anita se esquece do peso de sua história? A mãe é prostitutano Paraguai e o pai...
“Não quis ficar com meu pai porque ele mexeu comigo. Eu tenho vergonha de contar”, diz a menina, segurando as lágrimas. “Um dia de noite, eu estava dormindo. Ele foi na minha cama e fez tudo o que ele queria fazer. Eu ficava gritando, mas não tinha ninguém em casa. Ele tirou a minha roupa e a dele também. Não adiantou. Eu gritava e não tinha ninguém por perto. Quando melembro disso sinto uma dor por dentro”.
“Eu queria ter outro pai. Queria que ele fosse bonzinho, porque ele era muito safado”, desabafa Anita.
Anita escapou do pai no Brasil. A mãe ajudou, mas ela mora em um bordel e não pode ficar com a filha. No exílio, o feio, na mão de Anita, fica belo. Guarani é a língua oficial do Paraguai. Um abrigo em Ciudade del Leste é, agora, a casa de Anita.
“Agora vouvai ficar aqui até crescer. E quando eu crescer, vou ficar com a minha mãe. Vou arrumar uma casa para ela morar comigo”, sonha a menina.
A primeira imagem que se tem da infância é um pequeno mundo encantado. De verdade ou imaginário, o que se espera é que seja um santuário de pura inocência. O lugar sagrado de proteção e afeto. Mas ao abrir os olhos para a vida, muitas crianças experimentam, emvez de sonho, um pesadelo, com bicho-papão de carne e osso. Personagens paternos no papel de monstros.
Uma mãe diz que viu esse drama no quarto das próprias filhas.
“Eu acordava e ia direto ao quarto dos bebês. Algumas vezes eu o peguei sentado na cama da mais velha, de um ano e meio, passando a mão nela, um tanto ofegante. Uma vez eu questionei isso e ele me acusou de ter a mente suja, disseque eu era imunda para pensar uma coisa dessas do pai das filhas dele. Eu acabava acreditando que eu era suja e imunda por estar pensando algo assim”, diz a empresária Marlete Duarte.
Hoje, uma das filhas, que nasceu surda, rompe o silêncio.
“Ele dizia que eu precisava ser estimulada sexualmente por ser surda”, conta Anahí Guedes de Mello, estudante de química.
Anahi fez o caminho de volta aopassado e decidiu processar o pai por abuso sexual durante 15 anos.
“A estratégia dele era me atacar quando eu estava dormindo”, conta a jovem.
A mãe sabia de tudo, mas preferia não ver. No processo de separação, diz ela, a ficha caiu. Foi quando Marlete denunciou o marido ao juiz.
“Expliquei, inclusive, que as crianças não confessavam porque tinham medo. E eu grifei a palavra medo”, diz ela.
Masa Justiça se voltou contra ela. A alegação do ex-marido – "essa mãe é louca e drogada" – convenceu o juiz. Marlete acabou perdendo a guarda das filhas.
“Nesses anos todos, ficou um silêncio absoluto. Não havia mais nada que eu pudesse fazer a não ser desejar ardentemente que um dia algo acontecesse e que todo mundo soubesse que eu não era louca e que não estava inventando tudo aquilo”, desabafaMarlete.
A violência doméstica emudece e assombra os cenários mais insuspeitos, como a pequena Beberibe, no Ceará. Há quatro anos, um caso de incesto escandalizou os moradores do bairro Sítio São Lucas. Um pai engravidou a própria filha, de 12 anos.
“Isso é um papel muito feio para um homem. Ave Maria, esse homem deveria estar preso”, comenta o fotógrafo Otacílio Clemente da Costa.
O pedreiroCarlos Alberto Gomes da Silva não só está solto, como ainda vive com a filha e um garoto de 4 anos.
“Ele me chama de pai e de avô”, conta ele.
Relação sexual com menor de 14 anos é estupro, diz o Código Penal Brasileiro. A lei que pune os crimes determina que "existindo ou não", a violência é presumida. Carlos Alberto confessou, em juízo, que mantinha relações sexuais com a filha desde os 11...
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