Deslubramentos

1159 palavras 5 páginas
O poema "Deslumbramentos" pode ser dividido em quatro partes distintas: a primeira, composta pelas quatro estrofes iniciais, é a confissão do fascínio que Milady exerce sobre o "eu" lírico, como o próprio confessa no verso transcrito ao lado ; a segunda, constituída pelas duas estrofes seguintes, é o relato do encontro entre o sujeito poético e Milady; as duas estrofes seguintes compõem a terceira parte, pois aqui encontramos o sujeito lírico resignado à atitude altiva e orgulhosa que a mulher que ama revelou quando se cruzou com ele; as restantes estrofes constituem a quarta parte, onde o sujeito poético alerta Milady para os perigos das suas atitudes e do modo como todo o orgulho e altivez se podem voltar contra ela.
O poema inicia-se com uma apóstrofe - Milady. Apesar de não conhecermos esta mulher, sabemos desde logo que todo o poema é dirigido a uma mulher aristocrática, de um estatuto social superior, uma vez que este modo de se dirigir a uma mulher faz parte da cortesia que se respeita entre classes sociais mais elevedas. Esta forma de tratamento leva-nos também a deduzir que milady significará "my lady", minha senhora. Assim, esta é, com certeza, a mulher por quem o sujeito poético se apaixonou. Se esta é então a mulher amada do sujeito poético e ele a trata como Milady, estamos perante uma relação de criado-senhora, uma relação de subserviência amorosa, encontrando-se ela num plano superior, aristocrático, e ele num plano inferior, servil.
No entanto, o "eu" confessa que "é perigoso contemplá-la, / Quando passa aromática e normal". Porque será perigoso contemplar Milady? Para respondermos a esta pergunta, devemos, em primeiro lugar, caracterizar fisica e psicologicamente Milady.
Fisicamente, Milady é uma mulher encantadora, bela, perfeita, fascinante, sensual. O "eu" confessa que "Em si tudo me atrai como um tesouro", o que nos revela o fascínio e o estonteamento que esta mulher exerce sobre ele - "Ah! Como me estonteia e me fascina...". Dotado de um

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