Desenvolvimento infantil: contribuições de wallon, winnicott e lacan

Páginas: 12 (2982 palavras) Publicado: 20 de agosto de 2012
Conexões entre teorias e o desenvolvimento infantil. Contribuições de Wallon, Winnicott e Lacan
Karen Gomes Vogel
Estabelecendo conexões

Ao analisar as obras de Wallon, Winnicott e Lacan, nos livros de Abigail A. Mohoney, J. N. Násio e José S. Justo, encontramos alguns pontos em comum entre suas teorias e alguns julgamentos semelhantes acerca do desenvolvimento psíquico nos primeiros anosde vida. Estas semelhanças contornam questões como a influência do ambiente nos primeiros anos de vida, o papel do outro na constituição do eu, a relação do bebê com sua imagem no espelho e como ocorre o acesso no mundo simbólico, cultural e lingüístico pela criança.
O meio ambiente é o manancial do desenvolvimento do recém-nascido, dele a criança retira os recursos necessários para suaexistência. O meio ambiente, é tudo o que rodeia o individuo: a sua relação com a mãe, com a família, com os objetos, no âmbito afetivo, motor, cognitivo. Este meio é repleto de heranças culturais e familiares inconscientes, transmitidas ao bebê ao longo dos anos. A mãe é primeira mediadora entre as relações da criança com o mundo externo, de maneira a torná-lo suportável a este indivíduo, ainda imaturopara compreendê-lo em toda sua complexidade, por isso a mãe se vale das rotinas e de alguns elementos que trazem segurança ao bebê para inserir-lhe na sociedade.
O recém-nascido não consegue diferenciar o que ele e o que é o mundo, ainda não coordena seus movimentos, mas possui um sistema emocional bem organizado, por meio dele afeta a mãe e seus cuidadores, permitindo que esses compreendam suasnecessidades, podendo atendê-las. Este primeiros meses de vida se apresentam como um estado de dependência absoluta, em que a criança não tem consciência do quanto depende do outro para sobreviver, isto se apresenta devido a não diferenciação do que é externo e interno a si. O bebê se faz refém da cultura e dos desejos do outro, principalmente os de sua mãe ou daquele que exerce este papel.Essas marcas inscritas no bebê são culturais, históricas, fruto do desejo e expectativa do outro, transpostas de geração em geração, por meio da linguagem, do diálogo tônico e de elementos subjetivos. Pela interpretação que o outro faz das necessidades do bebê é que ocorre a transformação de um simples recém-nascido em ser humano. O outro possui a função de decifrar para o bebe os enigmas de si e domundo, produzindo as primeiras representações que a criança tem de si, suas ações sentimentos. Pelas funções maternas de holding e Handling são transferidas as marcas inscritas na criança, que lhe possibilitam elaborar a consciência de possuir um corpo, seu corpo, a sua personificação.
O primeiro “espelho” que a criança tem contato é sua mãe, pois no olhar materno estão incutidas expectativas, amãe vê no bebê um indivíduo, o que traz o sentimento de existir à criança. Ao longo do desenvolvimento ocorrem transformações na relação do bebê com sua imagem no espelho. Durante o primeiro ano de vida, o bebe não se diferencia do outro e o espelho não o atrai, posteriormente surge na criança uma curiosidade pela imagem refletida, porque ela descobre a existência do outro, em seguida passaprocurar a existência concreta do outro atrás do espelho e finalmente, se dá conta que a imagem refletida é sua, mas não é ela concretamente no espelho, no entanto uma representação. Quando a criança percebe que seu reflexo no espelho inicia-se o processo de diferenciação do eu psíquico, em seu discurso aparecem o uso da primeira pessoa (eu quero água, no lugar do nenê quer água) para se expressar,conseguindo perceber o outro e o ambiente como diferentes de si mesma. A efetiva ampliação do universo de contato da criança ocorrerá quando forem oferecidas algumas falhas na adaptação do bebê em relação ao mundo, isto é, a mãe deve possibilitar o que seu filho tenha a experiência com pequenas frustrações, para que a criança vê perceba como um ser humano não onipotente. A percepção onipotente está...
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