Demóstenes fez bem em atacar epípolas

Páginas: 7 (1638 palavras) Publicado: 23 de maio de 2012
Demóstenes fez bem em atacar Epípolas (Livro VII.42-47). Discuta.

Por esta altura, decorria o décimo nono ano da Guerra do Peloponeso, dois anos depois do início da expedição à Sicília. Esta expedição ficou conhecida como a maior e mais gloriosa de todas as expedições feitas pelo Império Ateniense. Contudo, a atmosfera em Atenas tinha sido de apreensão devido aos gastos inerentes a talgrandeza e também devido à possibilidade de alguns nunca mais retornarem às suas casas. Este ensaio incide sobre a avaliação da actuação de Demóstenes em Siracusa, nesta mesma expedição. Do meu ponto de vista, a sua intenção é perfeitamente compreensível, visto que o legado de Nícias nesta matéria estabeleceu quais as consequências a sofrer pela passividade em aproveitar as condições perfeitas para umataque surpresa, que tantas vantagens tem num contexto de guerra. O novo general pretendia o término do cerco, através da conquista rápida de Epípolas. Porém, um ataque nocturno é uma das operações militares mais voláteis, principalmente pela pouca visibilidade e pelo desconhecimento do terreno onde se opera, sem esquecer que este episódio se passou numa época bastante primitiva em termos deinstrumentos auxiliares de combate, como aqueles dos quais dispomos na actualidade. Esta forte aposta numa operação de larga escala começou por ser bem planeada, com objectivos claros e fortes, mas cuja ineficiência na execução culminou numa derrota decisiva para a expedição e para o próprio Demóstenes, que mais tarde seria executado pelas mãos do povo que tentou subjugar em nome do Império. Não defendo,contudo, que a culpa deva ser atribuída exclusivamente a Demóstenes, mas sim primeiramente à ganância do governo de Atenas e à actuação indisciplinada e prepotente do exército ateniense em campo.
Demóstenes chega a Siracusa após Eurimedonte para auxiliar no comando de Nícias. Estes levaram reforços de Atenas compostos por “(…) cerca de setenta e três navios, incluindo os estrangeiros, perto decinco mil hoplitas, Atenienses e aliados, um grande número de lançadores de dardos, Helénicos e bárbaros, fundibulários e archeiros e tudo o mais que se podia necessitar, na proporção espectável.” Demóstenes rapidamente se apercebe que a sua actuação teria de ser agressiva e célere. Este era um general novo e prático, mas também muito consciente. Caso este plano falhasse, a opção seria a retiradapara Atenas, para poupar mais gastos desnecessários e a vida de muitos atenienses. O primeiro argumento deste ensaio é a ganância do governo de Atenas. Não interessava os meios a utilizar, assumir uma derrota era impensável, mesmo que isso significasse usar todos os recursos. A estratégia mais lógica seria, portanto, atacar o coração do problema: a contramuralha erguida pelos Siracusanos, que“(…) era de tipo simples, e que se se apoderasse do itinerário do acesso a Epípolas e, depois, do campo ali existente não teria dificuldade de a conquistar também (…)”. Como os Siracusanos queimaram os engenhos necessários para a conquista da contramuralha, Demóstenes tomou a decisão de fazer o ataque a Epípolas depois de escurecer, após a aprovação de Nícias. O exército ateniense foi bem-sucedido noprimeiro confronto na colina de Euríolos, derrotando a guarnição original de seiscentos Siracusanos. A contramuralha ia sendo dominada por outras forças atenienses, deixando Gilipo e os seus aliados completamente surpresos por este ataque tão repentino e perigoso. Porém, surgiu o primeiro grande revés desta estratégia, que constitui o segundo argumento deste ensaio. O exército ateniense, que já seencontrava em condições pouco sólidas mesmo apesar dos reforços enviados, ao se deparar com um sucesso efémero, perdeu totalmente a sua concentração no fim a atingir e deixou de ter em conta o enquadramento geral, e os obstáculos inerentes a este tipo de operação, que foi aliás a única do género durante todo o conflito. Encontravam-se em terreno desconhecido, apenas iluminados pelo luar,...
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