Degradação ambiental

Páginas: 48 (11961 palavras) Publicado: 18 de fevereiro de 2012
Degradação Ambiental e Teoria Econômica: Algumas Reflexões sobre uma “Economia dos Ecossistemas”
Daniel Caixeta Andrade
Professor Adjunto do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia (IEUFU), Brasil

Ademar Ribeiro Romeiro
Professor Titular do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE-UNICAMP), Brasil

Resumo São escassas reflexões teóricas consistentessobre a adequação do instrumental econômico per se para o enfrentamento da problemática de degradação do capital natural. Em sendo assim, este trabalho apresenta algumas considerações acerca da relação entre degradação ambiental e teoria econômica numa perspectiva crítica. O princípio norteador é de que o tratamento até então dado ao meio ambiente é majoritariamente reducionista e sua superaçãodeve passar necessariamente por abordagens transversais. O encadeamento das ideias descritas converge para a necessidade de construção desta nova estrutura de análise, aqui chamada de “Economia dos Ecossistemas”. Palavras-chave: Capital Natural, Sistema Econômico, Serviços Ecossistêmicos, “Economia dos Ecossistemas” Classificação JEL: Q50, Q57 Abstract There are few consistent theoretical reflectionson the suitability of economic instruments per se in facing the issue of natural capital degradation. This paper presents some considerations about the relationship between environmental degradation and economic theory in a critical perspective. The guiding assumption of the arguments is that the treatment given so far to the environment is largely reductionist, which must necessarily be overcomeby a transdisciplinary approach. The sequencing of the ideas outlined converges to the need of building this new framework, referred to here as “Economics of Ecosystems”. Revista EconomiA Janeiro/Abril 2011

Daniel Caixeta Andrade e Ademar Ribeiro Romeiro

1. Introdução Acadêmicos de todas as áreas e matizes teóricos, preocupados com o bem-estar geral das espécies humanas e não humanas, bemcomo com a garantia de condições de vida para as gerações futuras, vêm repetidamente alertando para a necessidade de se tornar mais harmônica a relação homem-natureza, pois é cada vez mais elevado o risco de rupturas abruptas e irreversíveis no funcionamento adequado do ecossistema terrestre. São também cada vez mais claros os sinais de que a humanidade vem se aproximando perigosamente do quepodem ser chamadas “fronteiras planetárias”, entendendo-se estas como os limiares físicos além dos quais pode haver mudanças bruscas e colapso total da capacidade de o ecossistema global suportar as atividades humanas. Aos pesquisadores mais otimistas e crédulos na perspicácia humana em relativizar óbices de qualquer natureza que possam inviabilizar o objetivo supremo de crescimento econômico –erigido sobre os auspícios do paradigma neoclássico –, os parágrafos acima podem soar como uma espécie de sofisma apocalíptico. Entretanto, é crescente a coleção de evidências empíricas que, infelizmente, atestam a veracidade da maior parte das conjeturas sobre a iminência de alterações inesperadas no modo como o planeta vem reagindo às intervenções humanas. Recentemente, percebe-se a intensificação dodebate sobre as consequências nefastas do aumento sem precedentes da escala do sistema econômico sobre o capital natural da Terra. A expressão “Something new under the Sun”, título da obra de J. R. McNeill (McNeill 2002), ficou conhecida como epíteto da elevação incomum da capacidade humana em interferir nos ciclos naturais da Terra ao longo do século passado e início deste. Análises globais como aAvaliação Ecossistêmica do Milênio e o “The Economics of Ecosystem and Biodiversity Study” (?Sukhdev 2008) apontam para uma trajetória de degradação dos ecossistemas terrestres, reduzindo os benefícios derivados para o bem-estar humano e colocando em risco a própria sustentabilidade do sistema econômico e bem-estar das gerações futuras. A crescente perda de diversidade biológica, associada ao não...
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