corredor cultural

Páginas: 11 (2648 palavras) Publicado: 13 de novembro de 2014
155.02 Belo Horizonteyear 13, jun 2013
Corredor Cultural Estação das Artes: dilemas da participação
Wellington Cançado

Praia da Estação, 2011
Foto Wellington Cançado

Difícil não ficar, em um primeiro momento, bastante otimista e empolgado dadas as propostas e os encaminhamentos apresentados por Rafael Barros em nome da Comissão de Acompanhamento do projeto do Corredor Cultural Estaçãodas Artes (1), na noite do dia 28 de maio, no CentoeQuatro. E também feliz, frente à grande quantidade de pessoas presentes e disponíveis para discutir e participar da construção de um outro modelo de política cultural e espaço urbano. Mas principalmente porque as ideias e proposições apresentadas são, sobretudo, estruturais e potencialmente transformadoras das relações e dos espaços e equipamentospúblicos localizados na área de abrangência do Corredor, no Hipercentro de Belo Horizonte.
Impossível também, infelizmente, não perceber o quanto essas propostas imaginativas e transformadoras, bem como a participação efetiva dos diversos grupos culturais e movimentos sociais envolvidos, esbarram nas escolhas feitas pelos autores do projeto de desenho urbano, coordenado pelo arquiteto AndréBuarque. E perceber também como essas animadoras proposições emperram e até retrocedem na medida em que a própria participação dos cidadãos e o acompanhamento da Comissão passam a legitimar tanto a pertinência do Corredor quanto o desenho urbano proposto.
Nesse sentido, para avançarmos, cabe inicialmente perguntar: a quem realmente interessa um Corredor Cultural nos moldes propostos? O que realmentese entende por arte e cultura no âmbito desse Corredor? Qual o papel da Comissão de Acompanhamento para além do mero acompanhamento? E, por último, quais as possibilidades colaborativas e cidadãs não consideradas para o (re)desenho dos espaços propostos pelos arquitetos?
Como apresentado e discutido até então, o projeto do Corredor Cultural Estação da Artes parece ser mais um projeto degentrificação do espaço urbano, como realizado em diversas áreas centrais das cidades brasileiras nas últimas décadas, inclusive em Belo Horizonte, sob o pretexto de “revitalização” de áreas supostamente degradadas. Como sabemos, o que se entende por degradado por essas bandas são todas aquelas manifestações populares e espontâneas que escapam aos manuais da “modernidade” e que desafiam cotidianamente acapacidade coercitiva e o ímpeto higienizador das políticas públicas. E por trás desses projetos que pretendem “requalificar” lugares já cheios de vida e qualidades, se escondem enormes interesses imobiliários e estratégias políticas elitistas e conservadoras que visam a substituição de práticas e grupos tradicionais por um conjunto homogêneo de atividades e espaços.
No caso específico do Corredor,localizado em área de grande diversidade cultural e social, para além dos macro-interesses citados acima, parece ainda escapar à nossa compreensão quais poderiam ser exatamente os interesses dos grupos e populações locais na sua implementação. Afinal, o que efetivamente ganhariam com o Corredor Cultural – de caráter fortemente institucionalizado e que replica explicitamente os trejeitos daspiores revitalizações – grupos como o Duelo de MC’s, o Espanca!, a Praia da Estação, a população de rua, a juventude organizada? Uma das respostas, talvez a mais óbvia mas nem por isso menos importante, é que a participação destes e outros grupos amplia de forma considerável a participação popular nas decisões sobre o destino do espaço que habitam. E que uma vez que o Corredor vai mesmo acontecer –caso consiga os recursos federais – melhor que aconteça com a participação dos interessados diretos.
Pois, para além da inclusão e da participação direta, como observado no debate público do dia 28 de maio, parece faltar aos grupos afetados e envolvidos, assim como à sociedade como um todo, uma certa dose de ambição e utopia. Além de uma agenda própria com prioridades e propostas que pudessem...
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