Contos fantásticos do século XIX- Ítalo Calvino

Páginas: 799 (199647 palavras) Publicado: 4 de agosto de 2013
Contos fantásticos do século XIX
O fantástico visionário e o fantástico cotidiano
Organização de Ítalo Calvino

Sumário
9. Introdução — Ítalo Calvino
19. O FANTÁSTICO VISIONÁRIO
Jan Potocki
21. História do demoníaco Pacheco
Joseph von Eichendorff
33. Sortilégio de outono
E. T. A. Hoffmann
49. O Homem de Areia
Walter Scott
83. A história de Willie, o vagabundo
Honoré de Balzac101. O elixir da longa vida
Philarète Chasles
121. O olho sem pálpebra
Gérard de Nerval
139. A mão encantada
Nathaniel Hawthorne
173. O jovem Goodman Brown
Nikolai V Gogol
187. O nariz
Théophile Gautier
213. A morte amorosa
Prosper Mérimée
241. A Vênus de Ille
Joseph Sheridan Le Fanu
267. O fantasma e o consertador de ossos
277. O FANTÁSTICO COTIDIANO
Edgar Allan Poe
279. O coraçãodenunciador
Hans Christian Andersen
285. A sombra

Charles Dickens
299. O sinaleiro
Ivan S. Turguêniev
313. O sonho
Nikolai S. Leskov
333. O espanta-diabo
Auguste Villiers de l'Isle-Adam
347. É de confundir!
Guy de Maupassant
351. A noite
Vernon Lee
357. Amour Dure
Ambrose Bierce
389. Chickamauga
Jean Lorrain
397. Os buracos da máscara
Robert Louis Stevenson
405. O demônio dagarrafa
Henry James
433. Os amigos dos amigos
Rudyard Kipling
461. Os construtores de pontes
Herbert G. Wells
493. Em terra de cego

Introdução
Italo Calvino
O conto fantástico é uma das produções mais características da narrativa do século
XIX e também uma das mais significativas para nós, já que nos diz muitas coisas
sobre a interioridade do indivíduo e sobre a simbologia coletiva. Anossa
sensibilidade de hoje, o elemento sobrenatural que ocupa o centro desses enredos
aparece sempre carregado de sentido, como a irrupção do inconsciente, do
reprimido, do esquecido, do que se distanciou de nossa atenção racional. Aí estão a
modernidade do fantástico e a razão da volta do seu prestígio em nossa época.
Sentimos que o fantástico diz coisas que se referem diretamente a nós,embora
estejamos menos dispostos do que os leitores do século passado a nos deixarmos
surpreender por aparições e fantasmagorias, ou melhor, estamos prontos a apreciá-

las de outro modo, como elementos da cor da época.
É no terreno específico da especulação filosófica entre os séculos XVIII e XIX que o
conto fantástico nasce: seu tema é a relação entre a realidade do mundo que
habitamos econhecemos por meio da percepção e a realidade do mundo do
pensamento que mora em nós e nos comanda. O problema da realidade daquilo que
se vê — coisas extraordinárias que talvez sejam alucinações projetadas por nossa
mente; coisas habituais que talvez ocultem sob a aparência mais banal uma
segunda natureza inquietante, misteriosa, aterradora — é a essência da literatura
fantástica, cujosmelhores efeitos se encontram na oscilação de níveis de realidades
inconciliáveis.
Tzvetan Todorov, em sua Introduction à la littérature fantastique (1970), afirma que
aquilo que distingue o "fantástico" narrativo é precisamente uma perplexidade diante
de um fato inacreditável, uma hesitação entre uma explicação racional e realista e o
acatamento do sobrenatural. Entretanto, a personagem doincrédulo positivista que
aparece freqüentemente nesse tipo de narrativa, vista com piedade e sarcasmo
porque deve render-se ao que não sabe explicar, nunca é contestada em
profundidade. De acordo com Todorov, o fato extraordinário que o conto narra deve
deixar sempre uma possibilidade de explicação racional, ainda que seja a da
alucinação ou do sonho (boa tampa para todas as panelas).
Já o"maravilhoso", também conforme Todorov, se distingue do "fantástico" na
medida em que pressupõe a aceitação do inverossímil e do inexplicável, tal como
ocorre nas fábulas das Mil e uma noites. (Distinção que se aplica à terminologia
literária francesa, em que o fantastique quase sempre se refere a elementos macabros, como aparições de fantasmas do além. Já o uso italiano associa mais livremente...
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