Conto "UM APÓLOGO" de Machado de Assis

Páginas: 7 (1621 palavras) Publicado: 16 de maio de 2014
 INTRODUÇÃO

A fábula escrita pelo Bruxo do Cosme Velho, Um Apólogo, é considerada uma das mais lidas e atuais de sua lavra. O texto simples, escrito na década 80, do século XIX, traz um recorte interessante da sociedade da época e muitas inovações do ponto de vista narrativo.

1.1 O INUSITADO FOCO NARRATIVO

Se a base de todos os textos de caráter narrativo é o narrador, sem elenaturalmente não há estória, Machado de Assis (doravante MA) faz uso de um narrador que no princípio é onisciente: “Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:” (1º§).
Os leitores de Um Apólogo, no entanto, podem se deparar com elementos do tipo: “Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa” (16º§, grifos nossos), indicando aí uma participação ou, no mínimo, uma intromissão dofoco narrativo.
Da mesma forma, acontece no penúltimo parágrafo (23º§, grifos nossos): “Conteiesta história (...)”, e só então é percebido que a estória toda fora narrada a outra pessoa – um emblemático professor de melancolia –, tratando-se de uma mescla entre o que está sendo narrado no tempo psicológico (narração-onisciente) e no tempo cronológico (narração-participante ou intromissão donarrador).
Não bastasse essas inovações, MA faz uso de um narrador irônico, no pequenotrecho: “(...) entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética.” (16º§). Como crítico do romantismo que era na fase realista, Machado distrai os leitores com uma intromissão do narrador, citando a deusa grega, com seus cães caçadores, para criar uma imagem querepresentasse a costureira em ação, com a agulha e a linha. “Somente” para dar ao texto uma tonalidade poética, já que estava muito crua, muito fanfarrona, muito desgastada com o atrito das duas personagens principais até então. Ironia à parte, o fragmento também se configura como uma intromissão do narrador.

1.2 OS PEQUENOS-GRANDES PERSONAGENS

O texto machadiano apresenta dois personagens principaislogo no primeiro parágrafo sem, contudo, indicar se há protagonismo e antagonismo. Na verdade, o novelo de linha e a agulha são anti-heróis: os dois brigam, disputam, duelam por vaidade, por orgulho, por mero egoísmo, o que faz a natureza de ambos serem semelhantes e suspeitas.
Se do ponto de vista da importância eles são principais, a caracterização dos dois é plana ou linear, já que não hácomplexidade, mistério, transformações dos personagens ao longo da trama. Talvez a agulha, por no fim se dar mal e se sentir humilhada, poder-se-ia caracterizá-la como uma personagem esférica ou redonda, mas ao ler o conto percebe-se que a natureza dela não é mudada. A impressão é que o orgulho e a vaidade permanecem, apesar de tudo.
Os demais atores são todos secundários e igualmente planos:baronesa(16º§), costureira(16º§), modista(16º§), alfinete(21º§) e professor de melancolia(23º§).

1.3 O EQUÍVOCO DO TEMPO

A um leitor despreparado o texto camufla o tempo em cronológico e somente no fim ele se mostra, aos que percebem, como psicológico.
Inicialmente o tempo da estória não se mostra, nunca se saberá a época em que ela se passa, mas é de suspeitar que seja uma época de gala, de muitapompa e riqueza, já que são retratados fatos da casa de uma baronesa, que frequenta bailes e dança com ministros e diplomatas.
Já o tempo cronológico é marcado na seguinte passagem:

“(...) Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesavestiu-se.” (18º e 19º§, grifos nossos)

Assim fica delimitado o lapso temporal, em torno de quatro, cinco dias, passa-se toda a fábula machadiana.
Detalhe para a ironia “acabou a obra”: será que Machado está comparando um simples vestido de baile a uma obra artística? Ou quem sabe ao trabalho manual digno de uma artista?
E, então, somente é revelada a verdade para os leitores na penúltima parte,...
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