Confiança e medo nas cidades

Páginas: 11 (2744 palavras) Publicado: 9 de abril de 2014

CONFIANÇA E MEDO NA CIDADE

 O polonês Zygmunt Bauman em Confiança e Medo na Cidade fala sobre a nova configuração urbana que vem se definindo na Europa, e também, nas grandes cidades em todo o mundo, procurando compreender as alterações sociais e psicológicas dessa mudança. Ele trata das questões que dizem respeito à confiança e ao medo na cidade, expondo que esse medo e o desejo desegurança praticamente nunca são encontrados. Trata também do individualismo moderno das pessoas e de sua integração via afastamento, que acabam promovendo o fim dos antigos e sólidos laços sociais a favor de uma tentativa incessante e sem garantias de superar a insegurança em que acreditam estar vivendo. Discute-se também a questão do estrangeiro como o principal agente provedor da insegurança, assimcomo a tendência dos “inseguros” de se isolarem atrás de muros e evitarem o contato com outros indivíduos que não os que se assemelham a estes na questão cultural e social; e da parcela de culpa do exagero do marketing e mídia por enfatizar exacerbadamente a segurança em tudo que apresentam ao público, estimulando a ideia de que o perigo está por toda parte.
O autor inicia falando sobre atendência que os cidadãos europeus vêm tendo em sentir medo, mesmo com todos os recursos que têm à sua disposição em termos de segurança. A insegurança moderna não surge da perda de segurança em si, mas da incerteza de seu objetivo. Se a proteção de fato disponível e as vantagens que desfrutamos não atendem às nossas expectativas e as regras não são exatamente como deveriam, tendemos a imaginarmaquinações hostis, complôs e conspirações de um inimigo que pode se encontrar em qualquer lugar; ou seja, deve haver um culpado, crime ou intenção criminosa.
O individualismo exacerbado é um ponto fundamental, pois ninguém faz mais nada em grupo, gerando a insegurança individual. Têm-se medo dos crimes e dos criminosos, suspeita-se dos outros e de suas intenções, instaurando a desconfiança. Esse fatoteve início com a redução do controle estatal e suas consequências individualistas, no momento em que o parentesco entre homem e homem, que aparentemente era eterno, assim como os vínculos amigáveis que se estabeleciam dentro de uma comunidade ou corporação – a exemplo da fábrica fordista que era um ambiente relativamente estável e representava uma síntese do cenário da modernidade sólida -, foramfragilizados ou até rompidos. Assim, a solidariedade sucedeu a irmandade como melhor forma de defesa para um destino cada vez mais incerto. No entanto, no momento em que a solidariedade é substituída pela competição, as pessoas sentem-se abandonadas a si mesmas, gerando uma sociedade construída sem bases sólidas, onde o perigo está em toda parte. Alguns poucos países, sobretudo escandinavos,relutam em abandonar as proteções institucionais transmitidas pela modernidade sólida e tentam se defender a todo custo de invasores que pretendem saqueá-los, fazendo ressurgir a xenofobia, numa suspeita crescente de um complô estrangeiro e o sentimento de aversão aos estranhos, em especial aos imigrantes. Fato que pode ser entendido como uma tentativa extrema de manter o que sobrou da solidariedadelocal.
Na visão de Bauman, as cidades se transformaram em depósitos de lixo humano, onde pessoas se tornaram supérfluas. Antes havia o desempregado, que tinha a possibilidade de ser novamente inserido no mercado de trabalho. Agora, há o simples descarte de pessoas, que não apresentam qualquer possibilidade de serem reintegradas pelo sistema, e acabam constituindo as novas classes perigosas navisão das cidades. O desemprego assume caráter de rejeição e inutilidade onde o indivíduo deixa de ser imprescindível e, portanto, inativo para o progresso econômico. Os que não têm empregos já são vistos como marginalizados perpétuos, incapazes de regeneração, obrigados a aceitar as regras longe da sociedade. Os espaços públicos cuidam, nas novas cidades, de expulsá-los e impedir que eles...
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