Comunicação de más noticias

Páginas: 8 (1861 palavras) Publicado: 27 de abril de 2013
Escola Superior Politécnica de Saúde
Lisboa



Mestrado em Enfermagem de Natureza Profissional
Área de Especialização: Enfermagem Médico Cirurgia
2007/2009































Nilza Maria Lopes Rocha Araújo Lima
Aluna nº 192007029Prof.ª Manuela Madureira


Comunicação de más noticias

A polineuropatia Amiloidótica familiar é uma doença endémica na Póvoa do Varzim e Vila do Conde. Trata-se de uma doença genética autosómica dominante que se caracteriza pela deposição sistémica de variantes amiloidogénicas (anormais) da proteina transtirretina (TTR)particularmente no sistema nervoso periférico (SNP), dando origem a uma polineuropatia sensitivo-motora progressiva.
Manifesta-se em média após os 20 anos de idade e caracteriza-se por dores, parestesias e fraqueza muscular, bem como disfunção autonómica. Os rins e o coração são afectados em estádio terminal. O transplante hepático é a única medida terapêutica para atenuar os sintomas da doença. Porém,não elimina os danos já existentes nem impede que outros surjam, já que a proteína também é sintetizada no cérebro e no epitélio da retina, podendo, por isso, continuar a deposição de fibras de amilóide.
O Sr. A, portador de Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF), foi submetido a transplante hepático numa tarde de segunda-feira. Encontrava-se na Unidade de Cuidados Intensivos para vigilânciapós operatória. Tudo estava a correr bem, o utente já se encontrava em ventilação espontânea desde a 1ª hora pós transplante e inclusive já tinha recebido a visita da esposa e da irmã.
Durante a prestação dos cuidados de higiene na manha de terça-feira o Sr. A, apesar da “ligeira moinha” abdominal, encontrava-se muito bem disposto chegando a verbalizar à Enfermeira L. que tinha tido receio de que asua chamada para transplante demorasse mais tempo o que significaria ser transplantado já com muitas sequelas da doença. Contou também que para além do receio de morrer como o pai, que nunca chegou a ser transplantado, tinha tido muito medo de que lhe acontecesse o mesmo que acontecera há um ano atrás ao seu irmão…morrer durante o transplante.
Numa tentativa de desanuviar o ambiente foi-lhe ditoque isso era passado, que agora tinha que olhar em frente para o novo rumo que a sua vida iria agora seguir.
Como é habitual foi programado a realização de um dopller para verificar a permeabilidade da anastemose arterial e nem queríamos acreditar que a esperança de minutos antes caísse agora por terra com uma única passagem de uma sonda de dopller. O diagnóstico não poderia ser pior…ausência defluxo arterial…trombose da artéria hepática.
A equipa estava devastada com a notícia, foi motivo de conversa a manha inteira e a decisão de retransplante era já uma realidade dado que o médico hepatologista já tinha lançado um alerta urgente.
Contudo o utente neste processo estava completamente esquecido. Não sabia do diagnóstico nem da necessidade de ser novamente reintervencionado.
Umapergunta bailava na minha mente…e o doente…ninguém lhe diz nada…não é ele o actor principal deste drama…não tem o direito de ser o primeiro a saber?
Questionei a Enfermeira chefe de equipa e o Médico intensivista que estavam presentes e responderam-me que a responsabilidade era do cirurgião…mas ele não estava presente.
Cada um ao seu modo arranjava justificação para adiar a “obrigação” de comunicar aodoente que as coisas não estavam a correr tão bem, como ele fechado no seu quarto de isolamento julgava.
O desconforto apoderava-se de mim cada vez que me dirigia ao quarto para administrar terapêutica ou realizar o balanço hídrico e ouvia o utente questionar quando seria transferido para na Unidade de Transplante uma vez que se sentia tão bem.
Questionei novamente a Enfermeira chefe de...
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