COMO SE DEVE ESCREVER A HISTÓRIA DO BRASIL

Páginas: 31 (7590 palavras) Publicado: 21 de outubro de 2014
DISSERTAO OFERECIDA AO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DO BRASIL, PELO Dr. CARLOS FREDERICO PH. DE MARTIUS. Acompanhada de uma Biblioteca Brasileira, ou lista das obras pertencentes Histria do Brasil. Tive sumo prazer quando li na muito aprecivel Revista Trimensal (suplemento ao tomo 2.o, p. 72) que o Instituto Histrico e Geogrfico Brasileiro lanava suas vistas sobre a composio de umaHistria do Brasil, e pedia se lhe comunicassem idias, que o pudessem coadjuvar com maior acerto neste to til quo glorioso intento. Muito longe estou eu de me julgar do nmero dos ilustres literatos brasileiros, habilitados para preencherem as vistas do Instituto mais ainda assim no quero deixar passar esta ocasio sem testemunhar a to respeitvel associao o meu interesse para com seu meritrio assunto,comunicando-lhe algumas idias sobre aquele objeto, idias que recomendo ao benigno acolhimento do Instituto. Idias gerais sobre a Histria do Brasil Qualquer que se encarregar de escrever a Histria do Brasil, pas que tanto promete, jamais dever perder de vista quais os elementos que a concorreram para o desenvolvimento do homem. So porm estes elementos de natureza muito diversa, tendo para aformao do homem convergido de um modo particular trs raas, a saber a de cor cobre ou americana, a branca ou a caucasiana, e enfim a preta ou etipica. Do encontro, da mescla, das relaes mtuas e mudanas dessas trs raas, formou-se a atual populao, cuja histria por isso mesmo tem um cunho muito particular. Pode-se dizer que a cada uma das raas humanas compete, segundo a sua ndole inata, segundo ascircunstncias debaixo das quais ela vive e se desenvolve, um movimento histrico caracterstico e particular. Portanto, vendo ns um povo nascer e desenvolver-se da reunio e contato de to diferentes raas humanas, podemos avanar que a sua histria se dever desenvolver segundo uma lei particular das foras diagonais. Cada uma das particularidades fsicas e morais, que distinguem as diversas raas, oferece aeste respeito um motor especial e tanto maior ser a sua influncia para o desenvolvimento comum, quanto maior for a energia, nmero e dignidade da sociedade de cada uma dessas raas. Disso necessariamente se segue o portugus, que, como descobridor, conquistador e senhor, poderosamente influiu naquele desenvolvimento o portugus, que deu as condies e garantias morais e fsicas para um reino independenteque o portugus se apresenta como o mais poderoso e essencial motor. Mas tambm de certo seria um grande erro para todos os principais da historiografia-pragmtica, se se desprezassem as foras dos indgenas e dos negros importados, foras estas que igualmente concorreram para o desenvolvimento fsico, moral e civil da totalidade da populao. Tanto os indgenas, como os negros, reagiram sobre a raapredominante. Sei muito bem que brancos haver, que a uma tal ou qual concorrncia dessas raas inferiores tachem de menoscabo a sua prospia mas tambm estou certo que eles no sero encontrados onde se elevam vozes para uma Historiografia filosfica do Brasil. Os espritos mais esclarecidos e mais profundos, pelo contrrio, acharo na investigao da parte que tiveram, e ainda tm as raas ndia etipica nodesenvolvimento histrico do povo brasileiro, um novo estmulo para o historiador humano e profundo. Tanto a histria dos povos quanto a dos indivduos nos mostram que o gnio da histria (do mundo), que conduz o gnero humano por caminhos, cuja sabedoria sempre devemos reconhecer, no poucas vezes lana mo de cruzar as raas para alcanar os mais sublimes fins na ordem do mundo. Quem poder negar que a nao inglesadeve sua energia, sua firmeza e perseverana a essa mescla dos povos cltico, dinamarqus, romano, anglo-saxo e normando Coisa semelhante, e talvez ainda mais importante se prope o gnio da histria, confundindo no somente povos da mesma raa, mas at raas inteiramente diversas por suas individualidades, e ndole moral e fsica particular, para delas formar uma nao nova e maravilhosamente organizada....
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