Colonização, miscigenação e questão racial: notas sobre equívocos e tabus da historiografia brasileira resenha critica

Páginas: 11 (2512 palavras) Publicado: 21 de outubro de 2012
VAINFAS, Ronaldo. Colonização, miscigenação e questão racial: notas sobre equívocos e tabus da historiografia brasileira. Tempo (London), Niterói, v. 8, p. 7-22, 1999.

O autor é licenciado em História pela Universidade Federal Fluminense (1978), mestre pela mesma Universidade em História do Brasil (1983), Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (1988). Professor da UFF desde1978, sendo, desde 1994, Professor Titular de História Moderna.

RESENHA CRÍTICA: 21/10/2012.

O autor discorre em seu artigo sobre Colonização, miscigenação e questão racial, ressalta algumas notas sobre equívocos e tabus da histografia brasileira. O texto resenhado está disposto em doze páginas e em uma única seção.
O artigo de Ronaldo Vainfas desenvolve-se a partir das notas sobreequívocos e tabus da historiografia brasileira no que tange à colonização, miscigenação e questão racial de um extenso rol de autores/estudiosos brasileiros e estrangeiros tais como Varnahagen, Capistrano de Abreu, Gilberto Freyre, Charles Boxer, Florestan Fernandes e Líllia Schwarcz, dentre outros.
A necessidade de analisar as ideias de alguns autores, desde a época do Brasil colônia e realçar algunsequívocos e tabus da historiografia brasileira em relação à colonização, à miscigenação e questões raciais, é primordial. É necessário, então, repensar as contribuições de todos os estudiosos, independentemente de seus equívocos e tabus para a desconstrução da tal “democracia racial”.

COLONIZAÇÃO, MISCIGENAÇÃO E QUESTÃO RACIAL: NOTAS SOBRE EQUÍVOCOS E TABUSDA HISTORIOGRAFIA BRASILEIRAVainfas realça o encontro de três povos postos em cena pelo descobrimento do Brasil e pela colonização efetuada pelos lusitanos.
A miscigenação étnica e mescla de cultura são problemas afins da historiografia ocidental na contemporaneidade, porem, algumas mudanças surgiram no decorrer do tempo e podemos observar quais termos, valoração e sentido das interpretações sofreram modificações.
Desde o inícioda historiografia brasileira o problema da mescla cultural nos foi apresentado e se mostrou como a “miscigenação racial” formulada por Karl Von Martius, botânico, naturalista e viajante. Seus registros, (século XIX), sobre a natureza e o povo brasileiro nos foram fundamentais. Von Martius afirmava que era essencial compreender a historia do Brasil e para tal era necessário entender como se deu amistura entre índios, negros e brancos para a formação da nacionalidade brasileira. Von Martius pensava o hibridismo racial como se pensa o hibridismo entre plantas e animais. Deu prioridade à contribuição portuguesa na formação da nacionalidade e praticamente silenciou a raça negra e a indígena. À esta última, restou apenas um papel secundário. A partir daí a questão da miscigenação étnica ecultural estava posta, contudo, apesar de inovadora, ninguém a seguiu ao longo do século XIX.
Ainda no século XIX, Francisco Adolpho Varnhagen surge com sua obra. Os cinco volumes desfiavam a historia do Brasil, muito bem documentada e exalando extrema simpatia e amizade à dinastia luso bragantina. Que enaltecia a historia branca, imperial e elitista. Surpreendentemente, falava sobre crenças ecostumes dos índios, mas, quase sempre os classificavam como selvagens e bárbaros, silenciando também os negros. Por Varnhagen a miscigenação foi ocultada racialmente, culturalmente e etnicamente.
Na virada do século XIX, surge Capistrano de Abreu, inovando a interpretação na historia do Brasil colônia em vários aspectos. Abre sua obra “Capítulos de historia colonial” com “Antecedentes indígenas” econcebe o Brasil como território disputado por vários países. Se em Varnahagen a colonização portuguesa, suas motivações e instituições eram exaltadas, com Capistrano de Abreu o objeto de investigação elimina as diversidades territoriais da “América portuguesa”, retratadas magistralmente no capítulo “O sertão”. Reside aí, a principal diferença entre Varnhagen e Capistrano de Abreu. Enquanto o...
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