CLARICE LISPECTOR E O INCESTO: UMA LEITURA DE O BÚFALO

Páginas: 19 (4722 palavras) Publicado: 29 de outubro de 2014
Andréa Iunes é escritora de narrativas curtas; professora de Literatura
Portuguesa e Brasileira; oficineira de criação literária, argumentação; especialista em
Literatura Brasileira Contemporânea. Contato: www.inspiraturas.com
CLARICE LISPECTOR E O INCESTO: UMA LEITURA DE “O BÚFALO”
Andréa Iunes
Os motivos que me levaram a escrever o presente texto foram bem pessoais. Primeiro,
Clarice éminha autora favorita e, segundo, de uma maneira ou de outra, sempre que “O
Búfalo” me chegava às mãos, tinha a impressão de que não havia conseguido retirar o principal
do conto, de que faltava alguma parte no meu entendimento.
A primeira leitura que fiz foi a seguinte: “O Búfalo” conta a história de uma mulher que
vai a um jardim zoológico encontrar o ódio de si mesma, perdoar um homem que nãoa amava.
Ela passa por vários animais, o casal de leões, a girafa, os macacos, o elefante, o camelo. Depois
vai ao parque de diversões e anda na montanha russa. Volta aos bichos, vai à jaula do quati e
ainda não encontra o ódio. Vai encontrá-lo finalmente na frente das grandes e altas grades do
terreno de um búfalo, onde se mata.
A mulher vai a um jardim zoológico procurar o ódio, delamesma, do homem; vai
procurar o fim da esperança, da luta contra o destino, enfim, o cessar da vida. Por quê? Por que
no jardim zoológico? Não é no jardim zoológico que os pais levam seus filhos? Não é nesse local
que a família passeia unida? Pois é nesse local que a mulher, e o termo “mulher” no conto é
usado de maneira forte, é nesse lugar que a mulher vai encontrar a morte.
No início do conto,a autora, fala de “dois animais louros” que, na minha interpretação,
quer dizer dois iguais, dois da mesma espécie, duas pessoas de uma mesma família.
A personagem procura um motivo para odiar, pára na frente da jaula do casal de leões,
o macho (figura masculina) passeava tranqüilo e a fêmea (figura feminina) voltava novamente a
sua pose de esfinge. Qual é mesmo o significado simbólico deesfinge? Enigma? (“decifra-me ou
devoro-te”). Então a leoa continuava um enigma, mesmo depois do ato sexual.
Mas ainda esse ser irracional (animal), o leão sentia carinho pela leoa pois até lambeulhe a testa (“glabra”) sem pêlos, enquanto que para a mulher nada havia, nem carinho, nem
amor. E por haver amor entre os leões, pelo leão significar poder, sabedoria e justiça, porque o
leão para sereproduzir procura longe da família a sua parceira, por tudo isso ela não conseguiu
encontrar o ódio.

A mulher vai para a frente da girafa, a girafa que era ingênua, sem culpa de nada, quase
tola, à parte, omissa “...mais paisagem que um ente.”. Como ela, a mulher, poderia encontrar
esse ódio na frente de uma figura que representava tanto a própria mãe?
Ela passa então aos macacos, macacos quesignificavam alegria, a liberdade que ela não
tinha, macacos que são animais ágeis, felizes.
Quando vê o sentimento maternal com que a macaca dá de mamar, ali, ela quase
consegue achar o ódio, diz que os mataria com 15 balas, na numerologia 1+5=6, seis número da
besta, (15, também, igual a violência, pelo Tarô), contrário à crença, diverso, ela se irrita com a
nudez dos macacos, macacos quepela simbologia também quer dizer consciência dissipada,
gasta, imagem de indecência, de lascívia; não havia perigo no mundo nu dos macacos, mas ela
não entendia e, nesse momento, fica claro que quando pensa em acertar por entre os olhos do
macaco “...que a olhavam sem pestanejar...”, falava do pai, o pai que desde pequena a
assediava; os braços abertos do macaco, em crucifixo, começa já a dara idéia de sacrifício.
Mas a mulher ainda não consegue a morte porque, por um momento, o macaco “velho
e doente” lhe deu pena, e fugiu dali por medo do sentimento de resignação.
A mulher pede a Deus que a ensine a odiar e grita ao homem que o odeia, porque o
único crime dele era o de não amá-la, não com o amor que ela queria, o amor de pai.
Vai até o elefante, que para nós, ocidentais, é a...
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