Ciências políticas

Páginas: 18 (4389 palavras) Publicado: 9 de abril de 2012
Imprimer : Pathos e discurso politico

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Pathos e discurso politico
in Ida Lucia Machado, William Menezes, Emilia Mendes (org.), As Emoções no Discurso, Volume 1. Rio de Janeiro : Lucerna, 2007. p. 240-251, 2007.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS [1]
Anteriormente,tratei da questão das emoções em relação ao discurso das mídias, mais particularmente da televisão, quando participei de um congresso ocorrido em Lyon no ano 2000. Assim sendo, neste primeiro momento, me contentarei somente em retomar alguns pontos que já desenvolvi até então e que servirão de considerações no desenrolar de minha apresentação. Inicialmente, não entrarei na discussão em torno daescolha dos termos mais adequados a serem utilizados para se falar desta questão : pathos, emoção, sentimento, afeto, paixão. Cada um destes termos é suscetível de abarcar uma noção específica e podemos garantir que cada uma destas noções depende de um ponto de vista teórico também específico. No que me concerne, contento-me, simplesmente, em dizer que seria necessário diferenciar a noção de“sentimento” da noção de “emoção”. Parece-me que a primeira seria muito mais ligada à ordem da moral, enquanto que a segunda seria, sobretudo, ligada à ordem do sensível. No entanto, isso mereceria um longo desenvolvimento, razão pela qual, no estudo que se segue, empregarei estes termos indiferentemente um pelo outro. As emoções como representação social Lançaremos a hipótese de que as emoções se originamde uma “racionalidade subjetiva” porque – e isso nos vem da fenomenologia - emanam de um sujeito do qual se supõe ser fundado de “intencionalidade”. São orientadas em direção a um objeto “imaginado” já que este objeto é extirpado da realidade para se tornar um “real” significante. A relação entre esse sujeito e esse objeto se faz pela mediação de representações. É pelo fato das emoções semanifestarem em um sujeito “em função de” alguma coisa que esse sujeito se faz representar enquanto tal. Digamos que seja por isso que essas emoções podem ser ditas representacionais. A piedade ou o ódio que se manifesta em um sujeito não é o simples resultado de uma pulsão, nem se mede somente como uma sensação de excitação, como um aumento da adrenalina. A emoção pode ser percebida na representação deum objeto em direção ao qual o sujeito se dirige ou busca combater. E como estes conhecimentos são relativos ao sujeito, às informações que ele recebeu, às experiências que ele teve e aos valores que lhe são atribuídos, pode-se dizer que as emoções, ou os sentimentos, estão ligados às crenças [2]. Estas crenças “se apóiam sobre a observação empírica da prática das trocas sociais e fabricam umdiscurso de justificação que instala um sistema de valores erigidos em forma de norma de referência” [3]. Logo, essa crenças testemunham, ao mesmo tempo, “uma relação de “desejabilidade” que o grupo social empreende com sua experiência da cotidianidade e um tipo de comentário de inteligibilidade que é produzido sobre o real, uma espécie de metadiscurso revelador de seu posicionamento” [4]. É nessesentido que se pode dizer que uma morte não vale uma morte do ponto de vista de seu efeito pathêmico. De acordo com quem a vivencia – médico, soldado, amigo, parente ou telespectador – a mediação representacional varia fazendo também com que se varie o efeito emocional. Emoções e efeitos possíveis Em uma perspectiva da análise do discurso, os sentimentos não podem ser considerados nem como umasensação, nem como um experimentado, nem como um expresso, pois, se de um lado, o discurso pode ser portador e desencadeador de sentimentos ou emoções, de outro, não é nele que se encontra a prova de autenticidade do que se sente. Não se pode confundir, de um lado, o efeito que pode produzir um discurso em relação ao possível surgimento de um sentimento e, de outro, o sentimento como emoção sentida....
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