capitalismo

Páginas: 23 (5611 palavras) Publicado: 22 de abril de 2014
O PROJETO DO GOVERNO GOULART E O II PND: UM COTEJO

Publicado em: Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política, n. 33, out. 2012, p. 5-37

Pedro Cezar Dutra Fonseca
Cássio Silva Moreira

Resumo: O artigo mostra que, embora em contextos econômicos distintos e com marcantes diferenças políticas e ideológicas, há notáveis semelhanças entre o projeto econômico do governo João Goulart(1961-1964) e o Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) do governo Ernesto Geisel (1974-1979). Para tanto, utiliza como fontes primárias os documentos oficiais sobre o Plano Trienal e o II PND, além das mensagens presidenciais ao Congresso Nacional de ambos os períodos, onde os mesmos são expostos e justificados. O artigo sugere que uma racionalidade histórica parece se impor ao constatar que,uma década depois de interrompidas pelo golpe militar, muitas propostas, como o avanço da industrialização para os bens de capital e intermediários e os investimentos na área de energia, são retomadas e consideradas imprescindíveis diante da fragilidade que o país se encontrava após o choque do petróleo.

Introdução: Uma das proposições mais marcantes e radicalmente iluminista do pensamento deHegel, e ainda demarcadora de approaches nos estudos epistemológicos, é o entendimento da história como um processo racional. Com o idealismo que lhe era peculiar, assumia que na história o espírito é uno e idêntico à natureza, o que lhe confere o caráter racional e necessário de seu processo (Hegel, 1969, p. 39-40). A máxima “o que é racional é real e o que é real é racional” impõe a necessidadeda identidade entre razão e realidade e desconfia do contingente e das “coincidências históricas”: “Os fatos constitutivos desta história não são aventuras, do mesmo modo que a história do mundo não é uma história romanesca; não é uma coleção de fatos contingentes, de viagens de cavaleiros errantes que se batem ao acaso (...) há um nexo essencial no movimento do espírito pensante, onde domina arazão”, assevera na Introdução à História da Filosofia (Hegel, 1980, p. 334). Todavia, o espírito se exterioriza e, como tal, manifesta-se como história; daí podermos captá-lo, mesmo por tortuosos caminhos, empiricamente: “o que deve ser verdade deve estar na realidade e conhecer-se por meio da percepção”. Se a história, como processo racional, argumenta Hegel, tratava-se para o filósofo de umaconvicção, para o historiador seria uma hipótese. O problema do empirismo não era em si afirmar a existência de uma realidade empírica ou factual, mas negar o suprassensível, ou fazer uma separação radical entre o conceito e matéria. Marx, mesmo rejeitando o idealismo, manteve em parte essas asserções da reflexão hegeliana sobre a racionalidade histórica. Mas as mesmas impressionaram negativamenteautores como Marcuse, para quem, segundo Arantes (in Hegel, 1980, p. XX), tal prevalência do espírito “revela os traços sombrios de um mundo controlado pelas forças da história, em lugar de as controlar”. Já Lukács adverte que é preciso lembrar a tese de Marx, segundo a qual compreender o desenvolvimento da sociedade não consiste em “reconhecer por toda parte as determinações do conceito lógico, masem apreender a lógica específica do objeto específico” (Lukács, p. 77; grifos nossos). Assim, pode-se interpretar que para Marx a necessidade histórica não se impunha como força intransponível; a autoconsciência se exteriorizava e, através da práxis, assumiria caráter transformador. Destarte, mais que a lógica do conceito, sua preocupação consistia em buscar os nexos dos processos reais e, porisso, mesmo que de outra forma e circunscrito ao materialismo, o marxismo compreende a história como um processo racional e também propõe que coincidências ou contingências, ainda que possíveis, na maior parte das vezes são fatos cuja conexão não é imediatamente perceptível. Trata-se da racionalidade do processo histórico, mas como “concentricidade objetiva” (Luckács, 1979, p. 26), a qual deve ser...
Ler documento completo

Por favor, assinar para o acesso.

Estes textos também podem ser interessantes

  • O capitalismo
  • Capitalismo
  • Capitalismo
  • Capitalismo
  • O que é capitalismo
  • Capitalismo
  • capitalismo
  • Capitalismo

Seja um membro do Trabalhos Feitos

CADASTRE-SE AGORA!