Cap. I O Capital

Páginas: 86 (21393 palavras) Publicado: 3 de novembro de 2014
exemploCAPÍTULO I
A MERCADORIA
1. Os dois fatores da mercadoria: Valor de uso e valor
(substância do valor, grandeza do valor)
A riqueza das sociedades em que domina o modo de produção
capitalista aparece como uma “imensa coleção de mercadorias”76 e a
mercadoria individual como sua forma elementar. Nossa investigação
começa, portanto, com a análise da mercadoria.
A mercadoria é, antes detudo, um objeto externo, uma coisa, a
qual pelas suas propriedades satisfaz necessidades humanas de qualquer
espécie. A natureza dessas necessidades, se elas se originam do
estômago ou da fantasia, não altera nada na coisa.77 Aqui também
não se trata de como a coisa satisfaz a necessidade humana, se imediatamente,
como meio de subsistência, isto é, objeto de consumo, ou
se indiretamente,como meio de produção.
Cada coisa útil, como ferro, papel etc., deve ser encarada sob duplo
ponto de vista, segundo qualidade e quantidade. Cada uma dessas coisas
é um todo de muitas propriedades e pode, portanto, ser útil, sob diversos
aspectos. Descobrir esses diversos aspectos e, portanto, os múltiplos modos
de usar as coisas é um ato histórico.78 Assim como também o é a descoberta
demedidas sociais para a quantidade das coisas úteis. A diversidade das
medidas de mercadorias origina-se em parte da natureza diversa dos objetos
a serem medidos, em parte de convenção.
165
76 MARX, Karl. Zur Kritik der politischen Oekonomie. Berlim, 1859, p. 3.
77 "Desejo inclui necessidade, é o apetite do espírito e tão natural como a fome para o corpo.
(...) a maioria (das coisas) tem seu valorderivado da satisfação das necessidades do espírito."
(BARBON, Nicholas. A Discourse on Coining the New Money Lighter. In Answer to Mr.
Locke’s Considerations etc. Londres, 1696. p. 2-3.)
78 "Coisas têm uma intrinsick vertue“ (isto para Barbon é a específica designação para valor
de uso) ”que é igual em toda parte, assim como a do ímã de atrair o ferro" (op. cit., p. 6).
A propriedade do ímãde atrair ferro só se tornou útil depois de descobrir-se por meio dela
a polaridade magnética.
A utilidade de uma coisa faz dela um valor de uso.79 Essa utilidade,
porém, não paira no ar. Determinada pelas propriedades do corpo
da mercadoria, ela não existe sem o mesmo. O corpo da mercadoria
mesmo, como ferro, trigo, diamante etc. é, portanto, um valor de uso
ou bem. Esse seu caráter nãodepende de se a apropriação de suas
propriedades úteis custa ao homem muito ou pouco trabalho. O exame
dos valores de uso pressupõe sempre sua determinação quantitativa,
como dúzia de relógios, vara de linho, tonelada de ferro etc. Os valores
de uso das mercadorias fornecem o material de uma disciplina própria,
a merceologia.80 O valor de uso realiza-se somente no uso ou no consumo.
Os valoresde uso constituem o conteúdo material da riqueza,
qualquer que seja a forma social desta. Na forma de sociedade a ser
por nós examinada, eles constituem, ao mesmo tempo, os portadores
materiais do — valor de troca.
O valor de troca aparece, de início, como a relação quantitativa,
a proporção na qual valores de uso de uma espécie se trocam81 contra
valores de uso de outra espécie, uma relaçãoque muda constantemente
no tempo e no espaço. O valor de troca parece, portanto, algo casual
e puramente relativo; um valor de troca imanente, intrínseco à mercadoria
(valeur intrensèque), portanto uma contradictio in adjecto.82
Observemos a coisa mais de perto.
Determinada mercadoria, 1 quarter de trigo, por exemplo, troca-se
por x de graxa de sapato, ou por y de seda, ou por z de ouroetc.,
resumindo por outras mercadorias nas mais diferentes proporções. Assim,
o trigo possui múltiplos valores de troca em vez de um único.
Porém, sendo x de graxa, assim como y de seda ou z de ouro o valor
de troca de 1 quarter de trigo, x de graxa, y de seda, z de ouro etc.
têm de ser valores de troca permutáveis uns pelos outros ou iguais
entre si. Por conseguinte, primeiro: os valores de...
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