BRAS BEXIGA E BARRA FUNDA ANTONIO DE ALCANTARA MACHADO

Páginas: 43 (10602 palavras) Publicado: 20 de julho de 2015
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Universidade da Amazônia

Brás, Bexiga e Barra
Funda

de Alcântara Machado

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Brás, Bexiga e Barra Funda
de Alcântara Machado

Àmemória de LEMMO LEMMI (VOLTOLINO) e ao triunfo dos novos mamelucos.
Alfredo Mário Guastini
Vicente Rao
Antônio Augusto Covello
Paulo Menotti Del Picchia
Nicolau Naso
Flaminio Fávero
Victor Brecheret
Anita Malfatti
Mário Graciotti
Conde Francisco Matarazzo Júnior
Francisco Pati
Sud Menucci
Francisco Mignone
Menotti Sainatti
Heribaldo Siciliano
Teresa Di Marzo
Bianco Spartaco Gambini
Italo Hugo
SanVincenzo È L'vltima Colonia De' Portoghesi: E Perche È In Vn Paese
Lontanissimo, Vi Si Sogliono Condennare Quei, Che In Portogallo Hanno Meritato La
Galera, Ò Cose Tali.
Giovanni Botero. Le Relatione
Universali. In Brescia. 1595.
Esta é a Pátria Dos Nossos Descendentes
Conde Francisco Matarazzo.
Discurso de saudação ao Dr. Washington Luís.
São Paulo. 1926
ARTIGO DE FUNDO
Assim como quem nasce homemde bem deve ter a fronte altiva, quem
nasce jornal deve ter artigo de fundo. A fachada explica o resto.
Este livro não nasceu livro: nasceu jornal. Estes contos não nasceram
contos: nasceram notícias. E este prefácio portanto também não nasceu prefácio:
nasceu artigo de fundo.
Brás, Bexiga e Barra Funda é o órgão dos ítalo-brasileiros de São Paulo.
Durante muito tempo a nacionalidade viveu damescla de três raças que os
poetas xingaram de tristes: as três raças tristes.
A primeira, as caravelas descobridoras encontraram aqui comendo gente e
desdenhosa de "mostrar suas vergonhas". A segunda veio nas caravelas. Logo os
machos sacudidos desta se enamoraram das moças "bem gentis" daquela, que
tinham cabelos "mui pretos, compridos pelas espadas".
E nasceram os primeiros mamelucos.
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A terceira veio nos porões dos navios negreiros trabalhar o solo e servir a
gente. Trazendo outras moças gentis, mucamas, mucamas, munibandas, macumas.
E nasceram os segundos mamelucos.
E os mamelucos das duas fornadas deram o empurrão inicial no Brasil. O
colosso começou a rolar.
Então os transatlânticos trouxeram da Europa outras raças aventureiras.
Entre elas uma alegre que pisou naterra paulista cantando e na terra brotou e se
alastrou como aquela planta também imigrante que há duzentos anos veio fundar a
riqueza brasileira.
Do consórcio da gente imigrante com o ambiente, do consórcio da gente
imigrante com a indígena nasceram os novos mamelucos.
Nasceram os intalianinhos.
O Gaetaninho.
A Carmela.
Brasileiros e paulistas. Até bandeirantes.
E o colosso continuou rolando.
Nocomeço a arrogância indígena perguntou meio zangada:
Carcamano pé-de-chumbo
Calcanhar de frigideira
Quem te deu a confiança
De casar com brasileira?
O pé-de-chumbo poderia responder tirando o cachimbo da boca e cuspindo
de lado: A brasileira, per Bacco!
Mas não disse nada. Adaptou-se. Trabalhou. Integrou-se. Prosperou.
E o negro violeiro cantou assim:
Italiano grita
Brasileiro fala
Viva o Brasil
Ea bandeira da Itália!
Brás, Bexiga e Barra Funda, como membro da livre imprensa que é, tenta
fixar tão somente alguns aspectos da vida trabalhadeira, íntima e quotidiana desses
novos mestiços nacionais e nacionalistas. É um jornal. Mais nada. Notícia. Só. Não
tem partido nem ideal. Não comenta. Não discute. Não aprofunda.
Principalmente não aprofunda. Em suas colunas não se encontra uma únicalinha de doutrina. Tudo são fatos diversos. Acontecimentos de crônica urbana.
Episódios de rua. O aspecto étnico-social dessa novíssima raça de gigantes
encontrará amanhã o seu historiador. E será então analisado e pesado num livro.
Brás, Bexiga e Barra Funda não é um livro.
Inscrevendo em sua coluna de honra os nomes de alguns ítalo-brasileiros
ilustres este jornal rende uma homenagem à força e às...
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