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Páginas: 30 (7392 palavras) Publicado: 28 de março de 2014
Sofrimentos da Alma Masculina
- aspectos psicopatológicos do homem numa visão arquetípica
“Um dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria
Que o mundo masculino tudo me daria
Do que eu quisesse ter
Que nada, minha porção mulher que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É o que me faz viver
Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
Ser o verãono apogeu da primavera
E só por ela ser
Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um Deus o curso da história
Por causa da mulher”
Gilberto Gil

1 - O Complexo Paterno e a Consciência Masculina
O menino, diante do desamparo crucial da infância, coloca no pai a
responsabilidade absoluta pela sua segurança, e espera ardentemente que isso
lhe seja garantido. Porcomparação, se dá conta da sua condição de fragilidade
diante do mundo. O pai tende, no imaginário infantil, a honorificar-se como um
deus. A força da influência da figura paterna revela aspectos para além do pai
real: o Pai arquetípico.
A dinâmica negativa do arquétipo do pai é extremamente marcante na vivência do
homem. Sentimentos de estar sob o jugo de um deus rígido, de uma fonte desabedoria, da medida de todas as coisas, da lei a ser seguida e do risco de perder
a visão própria, a própria individualidade e a capacidade para a força, a criação e
a ação acompanham a formação emocional do homem diante do pai.

1

Ao representar o Arquétipo do Senex, o pai acaba enfatizando o lado negativo
deste vórtice arquetípico.
“O pai devora o falo do filho, impedindo que ele tenhaacesso ao espírito, que
é fundamental para que tenha ele próprio as características masculinas
incorporadas

à

sua

personalidade.

Com

isso,

o

filho

identifica-se

unilateralmente com o arquétipo do Puer e transforma-se no antagonista
arquetípico do pai Senex, o que leva à falta de integração entre as partes
contraditórias, porém necessariamente complementares, daquiloque é velho e
do novo. Esta identificação unilateral com os arquétipos é o cerne dos
problemas interpessoais entre pai-filho que impedem a transformação da
relação entre eles, que no fundo é o impedimento do decorrer da ordem
natural das coisas, a sucessão de tudo o que é velho pela promessa do novo.
Um dia o filho se tornará pai, assim como o pai já foi antes um filho. A
identificação comos arquétipos emperra este processo. A castração patriarcal
é a forma como o pai tenta desesperadamente permanecer no poder, evitando
o transcorrer do tempo e destino. Nesse sentido, não apenas o Puer é eterno;
também o Senex tem o desejo de permanecer imutável.” (FABRE, 1997: 218)

A ação paterna negativa, dura, baseada na destrutividade, nos comentários
mordazes, no escárnio, no silêncioagressivo, pode representar fatores de
achatamento da personalidade do filho, diminuição das forças egóicas em
formação, resultando em perturbações na autoconfiança.
Estudando o Complexo Paterno e por comparação ao tema da mãe devoradora,
Murray Stein apresenta o tema do Pai Devorador. Em oposição ao pólo do
Arquétipo Paterno que organiza o pai guardião e fortaleza, ele aponta para o outropólo, o do pai devorador, baseado nas forças da rigidez, dos convencionalismos.
Demonstra, nesse contexto, o quanto o pai devorador diz respeito a submissão à
convenções e à experiência das normas do coletivo.
Stein usa a história “A Morte de Ivan Ilitch”, de Leon Tolstoi, como um retrato
literário de importância enorme para a consciência devorada pelo pai. Mostra
como Tolstoi apresenta Ivancomo o filho de um oficial que tudo fez para que o

2

filho repetisse a sua própria história. Chama a atenção para a representação do
Arquétipo do Senex, encorpado pelo pai de Ivan, “na forma do velho rei que
deveria morrer, mas continua a reinar obstinadamente.” (Stein, 1979: 84)
A consciência devorada pelo Pai parece quase sempre ligada ao dinheiro, ao
direito e ao poder. Vincula-se...
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