As representações da emancipação feminina nas familias atuais

Páginas: 46 (11431 palavras) Publicado: 18 de maio de 2012
INTRODUÇÃO
O presente trabalho objetiva analisar a nova inserção da mulher na família e as mudanças de arranjos domiciliares em curso, entre meados das décadas de 1990 e 2010. Arranjos menos tradicionais vêm elevando a representação, à medida que o tradicional modelo de família composta por casal com filhos, sob chefia masculina, vem perdendo espaço. Observou-se crescimento do número de famíliassem filhos, de famílias com filhos, mas sem a presença do cônjuge, e mesmo a opção de viver só.
Outra alteração está associada ao aumento de mulheres que se declaram chefes de família, principalmente no caso do arranjo mais tradicional, casal com filhos, indicando mudança também no comportamento social e nos papéis da família, onde, tradicionalmente, o homem se identifica como chefe. Estastransformações refletem-se na composição da renda familiar, com aumento da participação da renda feminina, dos jovens e dos demais membros.
As alterações na composição da família e da renda resultam das várias transformações econômicas e sociais e, quase sempre, estão intimamente associadas ao novo papel da mulher na sociedade. Nos últimos 20 anos, assiste-se o maior engajamento feminino na força detrabalho. O maior acesso feminino à escola e, principalmente, ensino superior, a decisão de ter menos filhos, auxiliado pelo avanço nos métodos contraceptivos, explicam em parte estes novos arranjos.
No primeiro capítulo trataremos da resistência consciente ou não de se escrever uma história das mulheres. Michelle Perrot (2007) ao escrever a história das mulheres apresenta algumas consideraçõessobre como se desenvolver tal tarefa. Uma delas refere-se ao fato de se romper o silêncio em torno das mulheres.
Escrever a história das mulheres é sair do silêncio em que elas estavam confinadas. Mas porque esse silêncio? Ou antes: será que as mulheres tem uma história?

Todavia, percorrer a história desse silêncio pressupõem transpor a barreira estabelecia pela invisibilidade das mulheres, ouseja
As mulheres são menos vistas no espaço público, o único que, por muito tempo, merecia interesse e relato. Elas atuam em família, confinadas em casa (...). São invisíveis.

Ao menos no âmbito das reflexões acadêmicas parece haver certo silêncio ou invisibilidade na trajetória de certas mulheres. Veremos como foram creditados ao universo feminino durante vários séculos na historiografiamundial características como: submissas, recatadas, frágeis e apolíticas. Teremos com a Escola dos Annales uma maior preocupação não só em escrever, mas também em interpretar as vivências entre os gêneros.
Ainda segundo Milchelle Perrot, as dificuldades em se fazer uma história das mulheres muitas vezes estão associadas à falta de fontes e vestígios.
Convencidas de sua insignificância, estendendo àsua vida passada o sentimento de pudor que lhes havia sido inculcado, muitas mulheres, no acaso de sua existência, destruíram – ou destroem – seus papéis pessoais. Queimar papéis, na intimidade do quarto, é um gesto clássico da mulher idosa. Todas essas razões explicam que haja uma falta de fontes não sobre as mulheres nem sobre a mulher, mas sobre sua existência concreta e sua história singular.No teatro das memórias as mulheres são uma leve sombra.

A presença da mulher é frequentemente apagada, seus vestígios desfeitos, seus arquivos destruídos. A própria gramática contribui para a ausência de seus registros ao transferir para o masculino a referência em uma eventual mistura de gêneros.
Ainda no primeiro capítulo Joan Scott enriquece o trabalho, trazendo-nos o conceito de gênero.O seu texto intitulado Gênero: uma categoria útil de análise histórica, traduzido para o português em 1990 e revisado e republicado em 1995, é um marco teórico para os estudos sobre o tema no campo da pesquisa. Scott (1990) nos ajuda a perceber a constituição de homens e mulheres de forma relacional. Segundo a autora, o “gênero é um elemento constitutivo de relações sociais fundada sobre as...
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