As Regras do Método Sociológico - Durkheim

Páginas: 7 (1539 palavras) Publicado: 26 de novembro de 2014
AS REGRAS DO MÉTODO SOCIOLÓGICO – EMILE DURKHEIM

Fomos levados, pela força mesma das coisas, a elaborar um método que julgamos mais definido, mais exatamente adaptado à natureza particular dos fenômenos sociais.
Assim poderão julgar melhor a orientação que gostaríamos de tentar dar aos estudos da filosofia.

O que é um Fato Social?

A expressão fato social é empregada correntemente paradesignar mais ou menos todos os fenômenos que se dão no interior da sociedade. Dessa maneira, não há, por assim dizer, acontecimentos humanos que não possam se chamados fatos sociais.
Se esses fatos não fossem sociais, a sociologia não teria objeto próprio, e seu domínio se confundiria com o da biologia e da psicologia.
Mas, na realidade, há em toda sociedade um grupo determinado de fenômenosque se distinguem por caracteres definidos daqueles que as outras ciências da natureza estudam.
Ainda que eles estejam de acordo com meus sentimentos próprios e que eu sinta interiormente a realidade deles, esta não deixa de ser objetiva; pois não fui eu que os fiz, mas os recebi pela educação.
O sistema de signos de que me sirvo para exprimir meu pensamento, o sistema de moedas que uso parapagar minhas dívidas, os instrumentos de crédito que utilizo em minhas relações comerciais, as práticas observadas em minha profissão, etc. funcionam independentemente do uso que faço delas.
Esses tipos de conduta ou de pensamento não são apenas exteriores ao indivíduo, como também são dotados de uma força imperativa e coercitiva em virtude da qual se impõem a ele, quer ele queira, quer não.Certamente, quando me conformo voluntariamente a ela, essa coerção não se faz ou pouco se faz sentir, sendo inútil.
Se tento violar as regras do direito, elas reagem contra mim para impedir meu ato.
Em se tratando de máximas puramente morais, a consciência pública reprime todo ato que as ofenda através da vigilância que exerce sobre a conduta dos cidadãos e das penas especiais de que dispõe.
A coerçãomesmo sendo indireta, continua sendo eficaz. Se eu tentasse escapar a essa necessidade, minha tentativa fracassaria miseravelmente.
Ainda que, de fato, eu possa libertar-me dessas regras e violá-las com sucesso, isso jamais ocorre sem que eu seja obrigado a lutar contra elas. E ainda que elas sejam finalmente vencidas, demonstram suficientemente sua força coercitiva pela resistência que opõem.Eis, portanto uma ordem de fatos que apresentam características muito especiais: consistem em maneiras de agir, pensar e de sentir, exteriores ao indivíduo, e que são dotadas de um poder de coerção em virtude do qual esses fatos se impõem a ele.
Esses fatos constituem, portanto uma espécie nova, e é a eles que deve ser dada e reservada a qualificação de sociais. Eles não podem ter outro senão asociedade. Por outro lado, é a eles só que ela convém.
A maior parte de nossas ideias e de nossas tendências não é elaborada por nós, mas nos vem de fora, elas só podem penetrar em nós impondo-se.
Existem outros fatos que, sem apresentar formas cristalizadas, têm a mesma objetividade e a mesma ascendência sobre o indivíduo. É o que chamamos de correntes sociais. Assim, numa assembleia, os grandesmovimentos de entusiasmo ou devoção que se produzem não têm por lugar de origem nenhuma consciência particular.
Que um indivíduo tente se opor a uma dessas manifestações coletivas: os sentimentos que ele nega se voltaram contra ele.
Somos então vítimas de uma ilusão que nos faz crer que elaboramos, nós mesmos, o que se impôs a nós de fora. Mas, se a complacência com que nos entregamos a essaforça encobre a pressão sofrida, ela não a suprime. Assim, também o ar não deixa de ser pesado, embora não sintamos o seu peso. Mesmo que, de nossa parte, tenhamos colaborado espontaneamente para a emoção comum, a impressão que sentimos é muito diferente da que teríamos sentido se estivéssemos sozinhos.
Assim a partir do momento em que a assembleia se dissolve, em que essas influências cessam de...
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