As mulheres na Africa

Páginas: 17 (4233 palavras) Publicado: 18 de fevereiro de 2014
Juliane Cristina Bessa, Fernando Silva Teixeira Filho, Kwame Yonatan P. Santos,
Juliana Constantin Resende, Juliana Lopes Lima & Thyfani Domingues da Silva

A “moldura” em análise
Juliane Cristina Bessa*
Fernando Silva Teixeira Filho†
Kwame Yonatan P. Santos*
Juliana Constantin Resende*
Juliana Lopes Lima*
Thyfani Domingues da Silva*
UNESP – Assis

Resumo: Considerando que nossaprática tem o intuito de desconstruir
estigmas e estereótipos socialmente produzidos e institucionalizados a partir
das normatividades de gênero e sexualidade, este trabalho propõe uma reflexão
em torno de duas questões que nos tem causado inquietações: o sigilo e a ética
relativamente ao atendimento dos pacientes que nos procuram. Isto porque, a
maioria dentre estes são LGBTs (lésbica, gay,bissexual, travesti, transexual e
transgênero), e que por estarem em situação de “guetificação” criada pela
homofobia e redimensionada pelo contexto de cidade do interior, estão sujeitos
a conviver e a se relacionar, o que facilita serem atendidos pelo mesmo projeto
de estágio ou terem amigos/as ou namorados/as neste. E é nessa configuração,
que o grupo encontra-se interpelado por dilemas éticosque se impõe à relação
terapêutica, forçando-o a se reposicionar a respeito da estética, isto é, da
“moldura” – setting; da política do tratamento, ou seja, da transferência; e da
ética e do sigilo, forçando estes conceitos ao limite.
Palavras-chave: Ética, sigilo, clínica psicológica, LGBT, diversidade sexual

*

Estudantes de psicologia, estagiários do projeto Clinic@rte
ProfessorAssistente Doutor junto ao Depto. Psicologia Clínica da UNESP, Campus de Assis.
Supervisor do projeto Clinic@rte


Revista de Psicologia da UNESP 10(2), 2011.

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A “moldura” em análise

Este artigo trata da apresentação e problematização de questões éticas implicadas
na realização do projeto de estágio e extensão denominado Clinic@rte. Tal projeto é
financiado pela Pró-Reitoria deExtensão, e é desenvolvido junto ao Departamento de
Psicologia Clínica da UNESP e a ênfase Políticas Públicas e Clínica Crítica, do
campus da UNESP de Assis. Neste projeto realizamos atendimentos clínicos individuais
de pessoas cujo sofrimento esteja ligado à vitimização homofóbica e às dificuldades no
campo da sexualidade. Estes atendimentos são realizados na clínica escola do curso
(Centro dePsicologia e Pesquisa “Drª Betti Katizenstein” – CPPA).
O projeto propõe-se a refletir sobre questões relacionadas à produção das
subjetivações articuladas à discriminação frente às orientações sexuais, assim como a
construção das identidades de gênero dissidentes do padrão heterossexual em interface
com os marcadores sociais de diferença (raça/etnia, classes social, geração, escolaridadedentre outros). Assim, nossa prática compreende a subjetividade como construção em
processo e enfatiza a desconstrução das identidades em sua relação com a
heteronormatividade compulsória.
Para tanto, temos dialogado com teóricos/as pós-estruturalistas dos Estudos
Queer, Culturais e Filosofia, articulados a um enquadre clínico psicanalítico. A partir
dessas leituras, partimos do princípio deque o heterocentrismo refere-se a um modo de
pensar, agir e sentir que coloca a heterossexualidade como referência primeira dos
desejos, ideais, princípios e valores, o qual produz, por sua vez, um sentimento de
superioridade em relação a todas as outras expressões da orientação sexual e do desejo.
Isso se processa desse modo, pois vivemos em uma socieade heterocentrada que
se organiza apartir de uma heteronormatividade compulsória (RICH, 1986, p.41-86).
Ou seja, que tem a heterossexualidade como padrão normativo e de normalidade. Tanto
é assim que ninguém é concebido, ensinado, estimulado a ser homossexual ou
bissexual, mas sim a ser heterossexual. Ninguém diz a um menino de cinco anos que,
por qualquer razão, dá um beijo em seu amiguinho, que “os dois vão se casar” quando...
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