As expressões ideoculturais da crise capitalista na atualidade e sua influência teórico política

Páginas: 28 (6971 palavras) Publicado: 29 de outubro de 2012
 

 
               

As expressões ideoculturais da crise capitalista na atualidade e sua  influência teórico­política 

                                      Ivete Simionatto  Professora da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC 

As expressões ideoculturais da crise capitalista na atualidade e sua  influência teórico­política 
  Introdução   Apreender a real dimensão da crise capitalista na atualidade pressupõe discutir suas  principais manifestações não apenas na esfera da economia e da política, mas, também,  as repercussões nos campos do conhecimento, das ideias e dos valores. Com o objetivo  de discutir tal temática, o texto a seguir apresenta, inicialmente, o surgimento e a crise  da  razão  moderna  e  suas  consequências  na  realidade  contemporânea;  num  segundo momento,  aborda  o  advento  e  a  efetivação  do  pós‐modernismo  em  suas  dimensões  teóricas, políticas e culturais. Como consequência no plano do conhecimento, discute a  crise  dos  paradigmas  totalizantes  e  as  novas  tendências  teóricas  na  análise  dos  processos  sociais;  finalmente,  o  terceiro  tópico  oferece  algumas  indicações  para  a reflexão sobre a relação do Serviço Social com os paradigmas da modernidade e da pós‐ modernidade,  suas  implicações  no  exercício  profissional  e  na  consolidação  do  projeto  ético‐político.    1 Surgimento e crise da razão moderna    As  revoluções  científicas  ocorridas  entre  os  séculos  XVI  e  XVII  podem  ser  consideradas os principais marcos do pensamento moderno. Temos, a partir de então, o surgimento da chamada “nova ciência” ou “razão moderna”, fundada na astronomia e na  física,  tendo  em  Copérnico  e  Galileu  seus  principais  representantes.  Ocorre,  nesse  período,  uma  verdadeira  revolução  na  maneira  de  ver  e  explicar  o  mundo.  As  formas  vigentes  de  interpretação  da  realidade,  pautadas  na  fé  e  na  religião,  são  derrubadas,  destacando‐se  a  importância  da  observação  e  da experimentação  para  o  desenvolvimento  científico.  O  abandono  de  uma  concepção  dogmática  e  restrita  de  mundo,  alicerçada  nas  concepções  religiosas,  terá  repercussões  não  apenas  no  campo  epistemológico, mas também na economia, na política, na ética e na estética.    
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A  modernidade  institui,  assim,  um  novo  modelo  explicativo  do  real,  fundado  no  primado  da  razão,  ou seja,  na  capacidade  do  homem  em  formular  teorias  científicas  a  partir de leis objetivas. Essa forma de pensar está na base do projeto epistemológico da  tradição  racionalista  inaugurada por  Descartes  e da  perspectiva  empirista  iniciada  por  Francis  Bacon.  Será,  no  entanto,  o  filósofo  alemão  Immanuel  Kant  quem  ampliará  as reflexões acerca das possibilidades da razão na organização e sistematização dos dados  empíricos de forma mais científica. Buscando superar as concepções dogmáticas de seus  antecessores, Kant discute a vinculação entre razão e experiência e as possibilidades de  cada uma no processo do conhecimento.     Nas  formulações  kantianas  sobre  a  produção  do  conhecimento,  destacam‐se  dois elementos fundamentais: a existência do objeto que desencadeia a ação do pensamento  e a participação do sujeito ativo e de sua capacidade de conhecer. Ao vincular “razão” e  “experiência”,  afirma  que  o  sujeito  não  tem  a  capacidade  de  conhecer  “a  coisa  em  si”,  somente captar sua aparência, sua expressão fenomênica, não sendo possível conhecer a  essência dos fenômenos pesquisados. A análise da realidade é realizada aqui pela “razão  fenomênica”, a  partir  de  um  modelo  que  o  sujeito  do  conhecimento  elabora  de  forma  subjetiva, tendo nos dados empíricos o ponto de partida e o ponto de chegada (TONET,  2006).     Essa forma de pensar, centrada na capacidade da consciência individual e autônoma  para o conhecimento do mundo, prosseguiu durante o século XVIII e em todo o período  do  chamado ...
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