Artigo - ideário e identidade empresarial e institucional

Páginas: 54 (13320 palavras) Publicado: 30 de agosto de 2012
ARTIGO

REVISTA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA Nº 16: 123-142 JUN. 2001

CRISE E REPRESENTAÇÃO EMPRESARIAL:
O SURGIMENTO DO PENSAMENTO NACIONAL DAS BASES EMPRESARIAIS
Alvaro Bianchi
Universidade Metodista de São Paulo
RESUMO
O objetivo do trabalho é elucidar as origens da crise da representação empresarial na década de 80 e o surgimento do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE)nesse contexto. Criado em meados de 1987 e institucionalizado em 1990, o PNBE nasceu de uma profunda insatisfação com as respostas à crise que vinham sendo articuladas pela estrutura tradicional de representação do empresariado. Apresentando um projeto que visava a superar o caráter econômico-corporativo das propostas até então colocadas na mesa pelo empresariado, a entidade apresentava uma novaalternativa de caráter hegemônico como saída para a crise. Tal projeto, contudo, nunca assumiu contornos muito definidos. Foi mais uma profissão de fé do que um programa. PALAVRAS-CHAVE: empresariado; representação empresarial; Pensamento Nacional das Bases Empresariais.

I. INTRODUÇÃO O objetivo deste trabalho é discutir as origens da crise de representação do empresariado na década de 1980 e osurgimento, nesse contexto, do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE). É de bom tom, portanto, repassar, mesmo que brevemente, a trajetória dessa representação. As relações existentes entre as classes e entre estas e a forma estatal da classe dominante devem fornecer os materiais sobre os quais a análise se debruçará. Para facilitar o trabalho, serão demarcadas quatro grandes fases,assinalando, assim, de maneira esquemática, os diferentes momentos da ação empresarial, bem como as distintas articulações das classes entre si e entre elas e o Estado. II. BREVE HISTÓRICO DA REPRESENTAÇÃO EMPRESARIAL A primeira fase compreende o período de 1930 a 1945 e é marcada pela emergência de um processo de industrialização e urbanização no Brasil1. Segundo Boris Fausto, a indústria brasileira
1A escolha do marco inicial não é arbitrária. Muito embora o Centro Industrial do Brasil tivesse sido criado em 1904, representando os industriais do Rio de Janeiro, São Paulo, Juiz de Fora e Rio Grande do Sul, é apenas com a formação

tinha como características, durante esse período, a dependência do setor agrário exportador, a insignificância da indústria de base, a baixa capitalização e o grauincipiente de concentração (FAUSTO, 1970, p. 19). À época da Revolução de 1930, a burguesia industrial era um setor social com um peso na economia muito inferior ao setor agro-exportador. Já possuía, entretanto, uma dimensão que lhe possibilitava expressar seus interesses na esfera governamental. A relação de forças objetiva, aquela que se estabelece no nível das forças produtivas e sobre a qualse erguem os grupos sociais, permitia ao empresariado industrial fazer ouvir sua voz2 . A fundação das federações regionais da indústria no final da década de 1920 e a afirmação de uma

de entidades regionais como o Centro das Indústrias de Juiz de Fora (1926), o Centro das Indústrias de São Paulo (1928) e o Centro das Indústrias Fabris do Rio Grande do Sul (1930) que se consolidará umaestrutura de representação de interesses do empresariado. Por outro lado, a adaptação dessas entidades à legislação varguista deu origem a formas de organização duradouras, que marcarão até os dias de hoje a representação empresarial. Ver, para tanto, Leopoldi (2000), em especial a seção I.
2 Sobre as relações de forças, ver Gramsci (1977, p. 1583-

1586).
Rev. Sociol. Polít., Curitiba, 16, p.123-142, jun. 2001

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CRISE E REPRESENTAÇÃO EMPRESARIAL
liderança empresarial, cujas figuras mais destacadas eram Roberto Simonsen, em São Paulo, e Euvaldo Lodi e Vicente Galliez, no Rio de Janeiro, são indícios de que, além de ser uma força que objetivamente marcava sua presença na realidade nacional, o empresariado adquiria consciência de seus interesses e procurava organizá-los (LEOPOLDI,...
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