Artigo EEBA

Páginas: 13 (3008 palavras) Publicado: 27 de julho de 2015
O produtor-contemplador e o contemplador-produtor ativos:
produção e re-produção – sempre vivências estéticas responsivas
Luciane de Paula[1]
David de Almeida Isidoro[2]

A arte não se limita à inspiração. Há todo um processo de organização e planejamento realizado pelo “eu” (autor-criador) para que ela se encontre finalizada[3] e, depois disso, reorganizada no ato de leitura pelo “outro”(público) para que faça sentido.
Durante o momento de produção de uma obra, o autor-criador[4]possui um projeto arquitetônico e, para cumpri-lo, utiliza alguns elementos sígnicos[5] formais, de conteúdo e de estilo (elementos composicionais do gênero), organizados de determinada maneira em sua obra (seu discurso), para construir um efeito de sentido determinado.
Além dos elementos artísticos condutoresde dizeres (escolhidos pelo autor-criador no momento de produção de seu discurso), é necessário pensar nos meios pelos quais o discurso estético circula para alcançar seu público alvo, bem como na recepção desse discurso por um “outro” contemplador ativo e responsivo que, de certa forma, re-produz a obra estética de acordo com sua vivência, uma vez que o discurso é semiótico[6] e o discursoestético, representação da vida em arte[7].
Assim, o autor-criador pensa nos elementos que utilizará em sua produção estética considerando também o “outro” (personagens e leitor ideal) produzido em seu enunciado estético, na recepção de seu discurso por um “outro” “real” e responsivo (seu público leitor), bem como na veiculação de seu discurso, também realizada por “outros”, mediadores (professores, mídiaetc).
Os elementos (forma, conteúdo, estilo) utilizados para compor a obra, de certa maneira, selecionam o interlocutor[8] do objeto artístico produzido, uma vez que sempre “eu” componho “meus” discursos para um “outro”. Por isso, a escolha realizada pelo autor para a composição de sua obra de determinado material (léxico, cor, som, etc), de determinado tema (conteúdo), trabalhado de determinadamaneira (forma) e com um determinado tom (estilo) se, por um lado, direciona seu discurso estético para um “outro” específico (que o responderá ao “consumi-lo”, na recepção do mesmo), por outro, já responde a algo/alguém (passado ou futuro), com o que ou quem dialoga como resposta. Logo, sob essa perspectiva, bakhtiniana, a produção é tão responsiva quanto a recepção, uma vez que o autor-criadorpredetermina (conscientemente ou não), a quem dirige seu discurso, a quem responde e com quem quer dialogar. A produção de sua obra, somada à sua veiculação, direciona a recepção do “outro” a quem se dirige a obra em si, ainda que, por mais planejada que seja, a obra fuja do controle do autor-criador por ser também autônoma, como a linguagem o é: representação representativa e representada – ativae responsiva.
Além da responsabilidade pela produção de seu discurso, o autor-criador possui a responsabilidade acerca do efeito de sentido nele construído, ainda que a leitura do “outro” possa construir outras possibilidades de sentido. Parafraseando Bakhtin em seu texto “Arte e Responsabilidade” (2003)[9], é possível dizer que arte e vida se interpenetram[10], pois as duas (arte e vida) exerceminfluências uma sobre a outra e são capazes de modificar uma à outra. Assim, o autor é responsável, sem direito a álibi, por sua obra (arte) tanto quanto o é quem o veicula e o público (seu outro), que o lê e atribuiu sentido no ato da leitura – sendo, como denomina Barthes (2004), “co-autor do texto”. Seja como for, todo discurso (e isso inclui o discurso estético) nasce da vida tanto quantoresponde a ela, sempre de maneira dialógica.
Segundo Petrilli (2010), ao pensar sobre o discurso literário,
“Bakhtin realiza, a partir da literatura, do ponto de vista da literatura, uma crítica anti-sistêmica que põe em questão toda forma de fechamento totalizante, mostrando que a literatura se compõe indissoluvelmente por materiais extra-literários, que a escritura literária reelabora e...
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