Análise sobre a historiografia da idede media

Páginas: 10 (2451 palavras) Publicado: 9 de novembro de 2012
Resenhas
Os intelectuais na Idade Média
autor cidade editora ano Jacques Le Goff Rio de Janeiro José Olympio 2003

O livro de Jacques Le Goff foi editado pela primeira vez em 1957 e teve sua segunda edição em 1985, sem modificações (ambas por Editions du Seuil). Essa nova edição em língua portuguesa confirma, mais uma vez, sua importância entre os clássicos que nos possibilitam uma leitura daeducação inserida nos fenômenos de longa duração, especialmente quando propicia uma releitura de um período histórico que foi preconceituosamente convencionado como a “Idade das Trevas”. O leitor ainda tem acesso ao ensaio bibliográfico cuidadosamente preparado por Le Goff (36 páginas). Entre os problemas colocados pelo autor está o da organização corporativa do magistério, presente desde agênese da sua constituição. Um outro aspecto que se destaca na leitura é a gênese da definição da “função docente” imbricada na negociação do reconhecimento social. Os intelectuais estão situados na evolução escolar, na revolução urbana que vai do século X ao século XIII: a separação entre escola monástica, reservada aos futuros monges, e escola urbana, em princípio aberta a todos, sem exclusão dosestudantes que permanecem leigos. Ao lado do nascimento e da riqueza, o sistema universitário permitiu uma real ascensão social a um certo número de filhos de camponeses, por meio do exame, um processo totalmente novo no Ocidente. Foi pela evolução das escolas catedrais, assumindo um caráter mais corporativo, que se alcançou o instituto de universidade: o studium generale. Em Paris, o studium generalenasce ao redor da escola episcopal onde se destacou o prestígio de Abelardo, por volta de 1150, instituindo um curso referente ao trivium (as três artes liberais elementares: gramática, retórica, lógica), depois à teologia, ao direito, à medicina, que vinham constituir o nível superior de ensino. Os cursos eram de artes e teologia. Para a docência de artes exigia-se pelo me-

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revistabrasileira de história da educação n° 9 jan./jun. 2005

nos seis anos de estudo e a idade mínima de 20 anos. Para o ensino de teologia requeriam-se pelo menos oito anos de estudos (cinco anos de teologia e a idade de 34 anos). Concluído o curso de artes o estudante prestava exame diante de três ou quatro mestres; em seguida era admitido à Determinatio, ou seja, à exposição independente e pessoalde certas questões, sob a presidência do respectivo professor. Este evento dava-se no período quaresmal. Promovido a bacharel (baccalaureus), passava a explicar publicamente os livros oficiais de texto por um espaço de dois anos. Esses livros eram as obras de Aristóteles e as obras gramaticais de Prisciano. Depois disso recebia o título de Magister Artium. Para o magistério de teologia a exigênciaera maior, exigia-se três bacharelados: o bacharel bíblico lecionava durante dois anos a Sagrada Escritura. O bacharel sentenciário lecionava as sentenças de Pedro Lombardo, depois disso tinha-se o Magister actu regens. As duas principais formas de ensino eram a lição (lectio), que consistia na leitura e na explicação de um determinado texto e a disputação (disputatio), que era conduzida por um oumais mestres, numa espécie de torneio intelectual. O mundo muçulmano precisava das matérias-primas do ocidente (madeiras, espadas, peles, escravos) para suas enormes clientelas urbanas – de Damasco, de Feustat, de Tunis, de Bagdá, de Córdoba. Os embriões das cidades são os “portus” e se desenvolvem de modo autônomo ou ligado aos flancos das cidades episcopais ou dos “burgos” militares, desde oséculo X. No século XII os produtos mais raros do Ocidente vêm do Oriente, com as especiarias e a seda os manuscritos trazem ao Ocidente cristão a cultura greco-árabe. As obras de Aristóteles, de Euclides, de Ptolomeu e de Galeno acompanharam no Oriente os cristãos heréticos – monofisistas e nestorianos – e os judeus perseguidos por Bizâncio, e por eles foram legadas às bibliotecas e escolas...
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