Análise do Diálogo de J. Benci para a Comunicação Colonial

Páginas: 7 (1513 palavras) Publicado: 19 de outubro de 2014
ANÁLISE DO DIÁLOGO DE J. BENCI PARA A COMUNICAÇÃO COLONIAL



UNESP
2014


ANALISE DE LEITURA RELIGIOSA
“Economia Cristã dos Senhores no Governo dos Escravos” (1977), de Jorge Benci, foi publicado na forma de livro em Roma, 1705, e constitui uma coleção de sermões que este pregou na Bahia durante o século XVII.
A análise que faremos será constituída pelo pensamento religioso colonial notrato com os escravos, onde ele procura estabelecer certas normas de conduta nessa relação, mas sobretudo sobre a forma como Benci dialoga com o seu pretendido leitor: o senhor de escravos, especialmente.
Durante o livro, ele não encobre as dificuldades que regem o convívio com o fim de se atingir um relacionamento harmônico e, para isso, discute certos fundamentos teológicos e filosóficos,afastando-se de uma simples relação de regras a que o senhor deveria seguir para o trato com o escravo.
Considerando o tempo histórico a que se destina o livro, e a época em que ele foi lançado, a presença da família patriarcal brasileira, tratada por Gilberto Freyre, é mais do que presente e mesmo que não se encaixe nos padrões da família burguesa do século XVIII: a família que inicia a sua leituracomo atividade de privacidade, entendida por M. Lajolo (¹ LAJOLO, M.; ZILBERMAN, R. O leitor, esse desconhecido. In: A Formação da Leitura no Brasil. São Paulo: Editora Ática.), ela é também uma família leitora, mesmo considerando que, na maioria das vezes, o escravo lia, e o senhor não. Como não possuímos dados sobre a quantidade de leituras do livro a ser analisado no período em que ele foipublicado, ou mesmo no período escravocrata, onde ele, supomos, deveria ser útil, exploraremos o seu diálogo com o leitor no Discurso I § 1.
Inicialmente, percebemos que a relação que Benci possui para com o seu leitor é de repreensão das atitudes tomadas com relação aos escravos consideradas errôneas, e de ensinamento de corretas atitudes com relação ao mesmo. Atitudes corretas são atitudescristãs, e em todo o livro, Benci respalda-se em referências bíblicas para composição do seu discurso.
A lógica do seu pensamento nos diz muito sobre o período da colônia no que diz respeito às relações sociais e de produção, cujas proposições, que podem ser consideradas conciliatórias no elo senhor-escravo, são de grande importância histórica.
No contexto da “escravidão clássica pré-mercantil” (1977,p.10), para a qual a atenção de Benci estava direcionada, ele valia-se da ideia de que suas proposições abrandariam a “condição infernal da vida do escravo no trabalho”(1977, p.10), caso os senhores de escravos o desse ouvidos, observando que é o “crescente sobretrabalho” (1977, p.12) que caracteriza o essencial do escravismo colonial.
Benci, por hipótese alguma, questiona o escravismo, mas ocredita como resultado do pecado original, quando Deus permitiu que grande parte dos homens ficassem submissos à servidão e ao cativeiro e, para que os senhores, possuidores de certo poder sobre o escravo, não os sujeitasse a uma vida de misérias, seu livro os levaria à luz do entendimento da maneira correta de tratamento dos servos como “verdadeiros senhores”.(1977, p.49)
Sua escrita em forma,muitas vezes, de ordem para com o leitor, nos mostra certa vontade de mudança na relação senhor e escravo que, para ele, seria uma relação de reciprocidade das obrigações de ambos. Embasado na Bíblia, ele diz que “(...) ao servo se lhe deve dar o pão, o ensino e o trabalho: Panis, et disciplina, et opus servo (...)” (1977, p.51), para que não desfaleça, não erre, e não se faça insolente,respectivamente. Assim como isso, deve-se também ao escravo o “(...)trabalho, o sustento e o castigo(...)” (1977, p.51)
O significado da palavra dever, nesse caso, possui o sentido de obrigação a outrem, e a sua análise é composta, como já foi dito, da obrigação mútua a que possuem o senhor e o escravo. Assim, o discurso é direcionado justamente para esse norte que, a partir do Discurso I, como no decorrer...
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