Análise do conto A hora e a vez de Augusto Matraga

Páginas: 5 (1234 palavras) Publicado: 3 de setembro de 2013
Universidade Federal do Tocantins
Curso de Letras – 5º período - 2011


Disciplina: Estilística
Professora: Greize Silva Poreli
Aluna: Charlene Oliveira de Brito

Análise do Conto “A HORA EVEZ DE AUGUSTO MATRAGA” retirado do livro Sagarana de Guimarães Rosa.
1.INTRODUÇÃO
A análise abordará aspectos semânticos-lexical inspirado no valor poético da obra e do vocabulário sertanejo, elevados a uma dimensão universal e popular ao mesmo tempo, onde tipos humanos da cultura brasileira são ressaltados com sua linguagem singular, e por isto, ganhando seu espaço estilístico dentro daliteratura.
“As palavras são criações, uma interpretação do real. Elas são carregadas de afetividade e vivência, quer seja pessoal ou coletiva. O homem adquire a língua da sua comunidade e se torna uma produto da experiência acumulada historicamente na cultura de sua sociedade.”
(DIMENSÕES DA PALAVRA, Maria Tereza Camargo Biderman*)
No conto de Guimarães Rosa esta característica é evidente, ossertões são retratados e expostos em um texto poético que os colocam numa categorização estilística, onde o léxico conotativo e denotativo dos vocábulos e dos sintagmas estão num embate constante no que diz respeito aos tons populares e aos tons épicos da lúdica e rude linguagem dos sertões.
Entretanto, serão mostrados aqui exemplos destes textos bem como sua categorização, dentro da teoriaestilística através deste conto, “A Hora e vez de Augusto Matraga.”
2. DESENVOLVIMENTO
Augusto Matraga é um fazendeiro violento e beberrão, criador de casos com os outros e desnaturado com a família. Sua mulher e muitos de seus conhecidos vão desprezando-o durante a narrativa que é feita em terceira pessoa. A narrativa em terceira pessoa contribui ainda mais para demonstrar que ele é mal falado e temidopor todos.
Após sobreviver a uma emboscada, busca o sofrimento para se redimir dos pecados. Matraga morre no final porque luta contra a injustiça que um amigo queria cometer, o jagunço Joãozinho Bem-Bem.
O conto é marcado por esta possibilidade de redenção de Matraga, que sente na pele o mundo em que vive, um mundo de jagunços rudes e sem meias palavras. As palavras são ditas de formaconsistente e direta, com total segurança gramatical, afinal, em terras de ninguém, todos têm sua hora e sua vez; e nesta obra, a vez foi feita.
Na Linguística semântico-lexical aparecem figuras de linguagens, presentes neste conto como a antítese, ou, jogo de palavras, também a linguagem conotativa e denotativa, o valor expressivo dos sufixos, quebra de paralelismos semânticos e sintáticos como assilepeses, a hipálage dentre outros.
O conto inicia-se dando “conotação” á insignificância do personagem central:
... “ Matraga, não é Matraga, não é nada. Matraga é Estêves. Augusto Esteves...
Bem, Matraga existe e tem nome, mas já de início é dado á ele a conotação de uma pessoa que não honra o nome que tem, o nome que recebeu de seu pai, o coronel Afonso Estêves das Pindaíbas.

“... a Angélicapreta se rindo, sem vergonha e dengosa, que se sorveteu na montocidade, de braço em braço, de rolo em rolo, pegada, manuseada, beliscada e cacarejante.”
Essas palavras adjetivas estão em jogo uma com as outras, são “Antíteses”, demonstrando a banalidade do momento, o momento em que Nhô Augusto (Matraga) está disputando uma quenga, que poderia ser qualquer outra, e por isto, revelando traçosantagônicos e extremos da personagem- prostituta, sua insignificância.
Podemos observar que o autor se apropria dos recursos estilísticos para expressar idéias, que de outra maneira teria um tom grosseiro, pouco poético e impróprio á uma obra artística.
Agora, vejamos a ênfase dada na dor de Matraga ao sentir-se abandonado e ferido, longe da família. Esta ênfase é caracterizada pela combinação de...
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