aluna

Páginas: 35 (8575 palavras) Publicado: 8 de abril de 2014
A história africana nas escolas brasileiras. Entre o
prescrito e o vivido, da legislação educacional aos
olhares dos especialistas (1995-2006) -- Anderson Ribeiro OLIVA•

Resumo: O presente artigo possui como intenção principal estabelecer um diálogo entre a legislação brasileira acerca do ensino da história africana e as leituras e opiniões formuladas por alguns africanistas sobre atemática. Sendo assim, buscamos na primeira parte do texto mapear a presença dos estudos africanos nos Parâmetros Curriculares Nacionais, na Lei 10639/03 e nas diretrizes formuladas para permitir sua implementação. Na segunda parte de nosso exercício a perspectiva foi a de observar como historiadores, antropólogos e demais especialistas analisaram a abordagem da história africana em nossos bancosescolares nos últimos dez anos. O resultado do diálogo revela que, apesar das indicações encontradas em parte da legislação educacional brasileira, uma longa lacuna se apresenta quando o assunto a ser tratado nas salas de aula envolve temas africanos.
Palavras-chave: Ensino da história africana; Lei 10639/03; História da África.
Transcorridos quase cinco anos da promulgação da Lei Federal10639/03, seria legítimo se perguntássemos sobre as trilhas seguidas por nossos pesquisadores e educadores na construção de reflexões e propostas para o ensino da história africana nas escolas brasileiras. Não parece ser novidade que às escassas experiências escolares sobre a temática, identificadas antes desse período, somou-se um conjunto multifacetado e extenso de tentativas de aplicar ou permitiro cumprimento dos textos legais formulados sobre o assunto. Assim, cursos de especialização, extensão, formação de professores, seminários, congressos e publicações, vêm tentando contemplar os mais diversos objetos ligados à abordagem em sala de aula das trajetórias e características históricas africanas.
No entanto, a resposta ao questionamento acima lançado – que envolve um significativoesforço de mapeamento e busca das propostas, que desde então podem ser encontradas em profusão – não deve ocorrer sem outra reflexão, talvez de caráter seminal para todos os esforços que ocorrem em torno do tema. É fundamental um entendimento mais pontual sobre a legislação existente acerca do citado objeto e da opinião de alguns de nossos africanistas sobre o ensino da história africana. Se, asatividades marcadas pela excelência de seus executores e de seus conteúdos proliferam, outras, têm se demonstrado deficientes em suas intenções e encaminhamentos.
Dessa forma, a intenção do presente artigo é realizar uma leitura pontual sobre os principais textos legais que procuraram balizar a abordagem escolar dos estudos africanos em âmbito nacional, vigentes desde a década de 1990 – a Lei deDiretrizes e Bases da Educação (LDB), os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), a Lei 10.639/03 e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana -, assim como dialogar com alguns dos principais especialistas em estudos africanos que buscaram, de forma sistematizada ou não, opinar sobre o tema.
O quedizem os textos oficiais. Nas trilhas do prescrito
Se a presença da História da África nos Currículos e nos livros escolares brasileiros, até meados dos anos 1990, pode ser considerada insignificante, já que o continente africano aparecia sempre retratado de forma secundária, associado ao périplo marítimo dos séculos XV e XVI, ao tráfico de escravos e aos processos históricos do Imperialismo,Colonialismo e das Independências na África, esse quadro passou a sofrer uma evidente modificação a partir de 1996. A entrada em vigor da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996 (lei 9394/1996), seguida pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), da área de História, em 1998, sinalizavam para uma possível, mesmo que frágil, aproximação com os estudos africanos. Em um claro...
Ler documento completo

Por favor, assinar para o acesso.

Estes textos também podem ser interessantes

  • aluna
  • Aluna
  • Aluna
  • Aluna
  • Aluna
  • Aluna
  • aluna
  • aluna

Seja um membro do Trabalhos Feitos

CADASTRE-SE AGORA!