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Ele estava lá de taman­cos e com uma camis­inha, não pare­cia um poeta, não. Eu con­hecia os poetas através daque­las fotografias do Byron, com aque­las cabeleiras, achei que aquele poeta era muito banal. Era uma pes­soa muito afec­tu­osa, me aju­dou, disse que eu pre­cisava con­hecer o “Tratado de Ver­si­fi­cação” de Olavo Bilac, para saber fazer dire­ito os ver­sos. Me emprestou e aprendi a fazer decassíla­bos. Aper­feiçoei a minha téc­nica mas fiz isso com tal afinco que depois falava em decassíla­bos [gar­gal­hadas]. Brinco um pouco com esse negó­cio porque o verso met­ri­fi­cado ter­mina virando uma espé­cie de condi­ciona­mento em você. Porque você começa a medir as coisas, a falar e daqui a pouco sai espon­tanea­mente. Aliás, um dos grandes prob­le­mas da poe­sia rimada e met­ri­fi­cada é esse. A quan­ti­dade de poetas que acha que está fazendo poe­sia porque está fazendo verso met­ri­fi­cado. A métrica está certa, a rima está certa e o cara pensa que é poe­sia, mas não é. Então eu fiquei vici­ado em decassílabos. - See more at: http://blogues.publico.pt/ciberescritas/2010/09/21/ferreira-gullar-fica-o-nao-dito-por-dito/#sthash.7bSDN3Ov.dpuf

Ele estava lá de taman­cos e com uma camis­inha, não pare­cia um poeta, não. Eu con­hecia os poetas através daque­las fotografias do Byron, com aque­las cabeleiras, achei que aquele poeta era muito banal. Era uma pes­soa muito afec­tu­osa, me aju­dou, disse que eu pre­cisava con­hecer o “Tratado de Ver­si­fi­cação” de Olavo Bilac, para saber fazer dire­ito os ver­sos. Me emprestou e aprendi a fazer decassíla­bos. Aper­feiçoei a minha téc­nica mas fiz isso com tal afinco que depois falava em decassíla­bos [gar­gal­hadas]. Brinco um pouco com esse negó­cio porque o verso met­ri­fi­cado ter­mina virando uma espé­cie de condi­ciona­mento em você. Porque você começa a medir as coisas, a falar e daqui a pouco sai espon­tanea­mente. Aliás, um dos grandes prob­le­mas da poe­sia rimada e met­ri­fi­cada é esse. A quan­ti­dade de

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