Administração

Páginas: 24 (5871 palavras) Publicado: 9 de novembro de 2012
Uma caracterização de arranjos produtivos locais de micro e pequenas empresas
José E. Cassiolato
Marina Szapiro
Capítulo 2 do livro “Pequena empresa: cooperação e desenvolvimento local”, organizado por
Helena M.M. Lastres, José E. Cassiolato e Maria Lúcia Maciel, Relume Dumará Editora,
julho de 2003.
1 - Introdução
Este texto apresenta uma tipologia de arranjos produtivos locais de micro epequenas
empresas (MPEs) específica para a realidade brasileira, construída a partir da análise
empírica de 26 arranjos e sistemas produtivos locais no Brasil, realizada a partir de 1998 pela
“Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais”. Este capítulo apresenta uma
abordagem desenvolvida no âmbito da Rede Pesquisa.
O texto está organizado da seguinte forma. Na seção 2 são investigadasalgumas tipologias
de aglomerações geográficas de firmas e instituições, buscando ressaltar seus pontos de
contato e limitações. Na seção 3 propõe-se uma caracterização específica para arranjos
produtivos locais brasileiros, utilizando como dimensões principais o grau de
territorialização, forma de governança e mercado de destino da produção do arranjo.
Finalmente, a seção 4 apresenta as conclusõesprincipais do trabalho.
2 – Tipologias de aglomerados e sistemas produtivos
De uma maneira geral, pode-se dizer que, hoje em dia, é amplamente aceito que as fontes
locais da competitividade são importantes, tanto para o crescimento das firmas quanto para o
aumento da sua capacidade inovativa. A idéia de aglomerações torna-se explicitamente
associada ao conceito de competitividade, principalmentea partir do início dos anos 1990, o
que parcialmente explica seu forte apelo para os formuladores de políticas. Dessa maneira,
distritos industriais, clusters, arranjos produtivos tornam-se tanto unidade de análise como
objeto de ação de políticas industriais. Muitas organizações (centros de pesquisas, organismos
governamentais e consultorias) realizam estudos sobre aglomerações em que aespecialização
e competitividade econômicas são reinterpretadas dentro de uma perspectiva de interações. A
ênfase nesta dimensão foi reforçada com o sucesso observado na aglomeração espacial de
firmas tanto em áreas hi-tech (Vale do Silício), como em setores tradicionais (Terceira Itália).
O próprio conceito de aglomeração tornou-se mais articulado. Um importante passo nesta
direção foi a ligação da idéiade aglomeração com a de “redes”, especialmente no contexto de
cadeias de fornecimento e ao redor de empresas “âncora”. Calcada na experiência japonesa e
da Terceira Itália, a cooperação entre agentes ao longo da cadeia produtiva passa a ser cada
vez mais destacada como elemento fundamental na competitividade. Todavia, apesar desta
ênfase na cooperação, autores como Porter (1998), ao desenvolverema idéia de cluster
colocavam um peso muito maior na idéia de rivalidade (concorrência) entre empresas como
estimulador da competitividade.
Note-se também que, enquanto a maior parte desta literatura é relativa às experiências de
países desenvolvidos, as idéias sobre a importância do aglomerado de empresas na
competitividade têm sido crescentemente estendidas aos países em desenvolvimento. Aliteratura sobre aglomerados em tais países tem utilizado “uma definição simples (e
operacional) de clusters como sendo apenas uma concentração setorial e espacial de firmas
1

com ênfase em uma visão de empresas como entidades conectadas nos fatores locais para a
competição nos mercados globais” (Schmitz e Nadvi, 1999). Apesar de a espacialidade e a
cooperação serem explicitadas em tal abordagem, estautiliza uma visão simplificada de
“mudança tecnológica”. Esta última é aí entendida como apenas o resultado de aquisição e
uso de equipamentos (bens de capital); a “difusão” de tecnologia é colocada como o principal
processo a contribuir para a mudança tecnológica dentro do aglomerado, e é limitado o
interesse pela dinâmica de criação e acumulação de capacitações internas ao aglomerado para...
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