Abordagem sócio-histórica como dispositivo de escuta do desejo na orientação vocacional de adolescentes

Páginas: 105 (26196 palavras) Publicado: 23 de janeiro de 2014
INTRODUÇÃO


Esta dissertação pretende discutir por que achamos importante, num processo de Orientação Vocacional com adolescentes, a escolha da abordagem Sócio histórica e o estudo dos conceitos da psicanálise que se referem à adolescência e à escuta psicanalítica.
A sociedade atual é considerada por muitos autores sociólogos como, Christopher Lasch no livro Omínimo Eu (1986) e Jurandir Freire (1988) no livro Psicanálise em tempos sombrios, extremamente narcísica e obcecada pelo novo, onde a adolescência ocupa um lugar idealizado. Na psicanálise a atenção aponta para outro lado que não as vantagens da juventude reconhecendo as dificuldades desse momento crítico do sujeito.
A Orientação Vocacional vem sendo desenvolvida por psicólogoscomo Bohoslavisky (1971/1993) e pedagogos, como Silvio Bock(2010) numa tentativa de mudar a finalidade de traçar um perfil e encontrar atividades profissionais que sirvam a esse perfil. Isso não mudou muito nesses anos todos, os instrumentos básicos utilizados comumente continuam sendo: os testes de interesse, os de aptidão e os de personalidade.
Supomos que esse tipo de abordagem pretendeadaptar o sujeito a uma capacidade e não investigar a sua vocação.
Numa primeira pesquisa sobre o tema Orientação Vocacional, nos demos conta da importância de Bohoslavsky (1971/1993), que defendia a teoria psicanalítica como norteadora em um processo de OV por ser, segundo ele, uma teoria que leva em consideração a melhor escolha como singular.
O nosso caminho, em busca derespostas à pergunta que fazemos “Por que a psicanálise na formação de um orientador vocacional?” foi promover uma crítica às abordagens existentes e construir argumentos para apresentarmos nossa proposta.
Esse trajeto que seguimos inicialmente é para que, a partir deste estudo, possamos compreender melhor o sujeito adolescente de acordo com características dessa passagem que diz suasverdades. Para falarmos desse adolescente que passa da família ao laço social, começaremos pela história do movimento psicanalítico.
Os diagnósticos feitos na psiquiatria contemporânea são baseados em critérios que vêm se ampliando e se modificando com o tempo, contidos e catalogados no DSM-IV, manual diagnóstico e estatístico de desordens mentais. A psicanálise, pelo contrário, lida com asmesmas referências diagnósticas empregadas por Freud e Lacan. Os sintomas realmente mudam em relação ao discurso dominante na civilização, mas as estruturas clínicas continuam sendo as mesmas que Freud utilizou da psiquiatria: fobia, neurose, perversão e psicose. A estrutura é reconhecida pelo analista pela forma com a qual o sujeito lida com a falta inscrita na subjetividade e que mostra aposição do sujeito no Édipo, conceito freudiano que veremos mais adiante, em relação ao gozo. Pela sua estrutura é que se dará o encontro do sujeito com o sexo, a lei, o desejo, a angústia e a morte, e somente é possível sabê-la na construção do caso clínico, para que, a partir de um saber sobre a subjetividade, seja possível a elaboração do diagnóstico.
Freud mostrou que a lei doinconsciente está presente em todos os sujeitos: nos neuróticos, nos perversos e também nos psicóticos. O discurso como laço social é um modo de aparelhar o gozo com a linguagem, pois os laços sociais são as formas de as pessoas se relacionarem num processo civilizatório, logo, na orientação vocacional com uma escuta alicerçada na teoria psicanalítica, sua práxis operará pela fala porque o inconsciente éestruturado pela linguagem.
Lacan (1959-60) define a ética da psicanálise como a ética do bem dizer, que é diferente da conduta do adolescente estar ou não dentro de um padrão que é reconhecido como normal para todos. Ética como implicação dele pela fala no gozo que seu sintoma denuncia, essa é a ética: é bem dizer o sintoma, acolhê-lo, e não eliminar ou minimizar o mal-estar em que...
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