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Páginas: 12 (2899 palavras) Publicado: 28 de julho de 2015
Mar, Silêncio e Poesia
Leituras de poemas de Walflan de Queiroz

João Antônio Bezerra Neto
Márcio Simões

2


Os dois ensaios enfeixados nesta plaqueta
resultam de uma colaboração intelectual acerca do
lirismo do poeta Walflan de Queiroz. Cada ensaio
buscou analisar um poema extraído da sua obra poética constituída, como se sabe, de oito livros de poesia publicados entre as décadas de 60 e 70do século
XX.

Convém dizer essencialmente que Walflan
de Queiroz nasceu a 31 de maio de 1930, em São
Miguel, interior do Rio Grande do Norte. Em Natal,
após concluir os estudos no Atheneu, ingressou na
tradicional Faculdade de Direito em Recife, onde se
formou, obtendo o título de Bacharel, porém não
exerceu a profissão.

Esta plaqueta visa também homenagear o
poeta, que, falecido a 13 de agostode 1995, há exatos 16 anos, se vivo fosse, estaria com 81 anos de
idade.
Os autores

Walflan de Queiroz:
Mar e Poesia
João Antônio Bezerra Neto

Ô mer, nul ne connaît tes richesses intimes,
Tant vous êtes jaloux de garder vos secrets!
“L’Homme et la Mer”. Charles Baudelaire.
Que nostalgia vem das tuas vagas,
Ó velho mar, ó lutador Oceano!
“O Mar”. Cruz e Sousa.

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O

O tema do mar sempre teveum valor simbólico de profunda inserção na literatura. Do Ocidente ao Oriente, o mar se constitui como um dos
elementos que faz parte do imaginário dos povos.
De imediato, impossível não pensar em poetas da
magnitude de um Fernando Pessoa, que invocando
o mar, cantou a história de sua nação em tão belos
versos: “Ó mar salgado, quanto de teu sal / São lágrimas de Portugal!”.


O mar é largamenteexplorado também na
poesia brasileira, pois a sua presença se faz nos versos de Castro Alves, de Cecília Meireles, de Augusto Frederico Schmidt, Jorge de Lima, entre tantos
outros. No poema “Mar”, o poeta Tasso da Silveira
escreveu: “Hoje estou como nunca sentindo o mar,
o denso mar. / O mar, no seio de cujas solidões os
continentes são / como pobres pranchas a que se
agarram náufragos”. O mar,símbolo do inconsciente, é um dos temas universais, de grandeza imensurável, assim como o Amor, a Morte, a Noite, a Solidão.

Ao olharmos para a literatura produzida, por
exemplo, no Rio Grande do Norte, percebemos facilmente uma significativa recorrência simbólica do
mar em poetas como Deífilo Gurgel, Zila Mamede e
Gilberto Avelino, autor de um conjunto de sonetos
enfeixados sob o título de“Cantos de Fidelidade ao
Mar”.

Nesse sentido, o presente ensaio analisa a
metáfora do mar na poesia lírica de Walflan de Queiroz. Este poeta foi um homem do mar. Um marinheiro mercante que se aventurou em velhos cargueiros numa experiência única que ficaria inscrita
por toda a sua existência. O mar entrou na sua vida
para depois transfigurar-se em sua poesia.

O mar, leitmotiv em O Tempo da Solidão, oseu
livro de estreia em 1960, que se chamaria a princí-

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6

pio, Os Fundamentos do Mar, traz as ressonâncias da
juventude, as recordações das viagens de navio, misturando-se às saudades das Amadas, estritamente relacionado à morte e à transitoriedade existencial.

O escritor Luís da Câmara Cascudo reconhece a importância que o mar provocou na alma do
poeta: “Conheci Walflan de Queiroz antes edepois
de sua aventura no mar, um mar amargo e sonoro
que o impregnou de sal e de melodias distantes e
nostálgicas”.

O mar, misto de realidades e de sonhos em
sua poesia. Sempre o mar, a obsessão pela fuga, pela
desventura, como nestes versos: “Quando eu partir,
para o mar alto e profundo, / No meu barco interdito e cruel, / Não mais ouvirás falar de mim”.
No poema “Autorretrato”, o poetaWalflan constrói
à maneira de um fingimento poético a sua imagem
marítima: “Minha pele, queimada eternamente pelo
sol, tem o sal do mar / E a cor morena dos que são
náufragos”.

Como símbolo da vida, o mar é uma pulsão, elemento metafórico que revela angústia: “Teus
olhos que se encontravam com os meus, / Eram
como um farol me guiando no mar cheio de tormentas de minha vida”.

“Deus fez primeiro...
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