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2112 palavras 9 páginas
Um dos filmes mais densos dos anos noventa, A Rainha Margot, de 1994, trouxe para as telas o romance homônimo de Alexandre Dumas, que nas páginas da literatura relata de forma romanceada, a história Marguerite de Valois, filha de Catarina de Médici, conhecida como rainha Margot.
O filme de Patrice Chéreau abstrai-se totalmente da atmosfera do romantismo que traz o livro de Dumas, para torná-lo coberto de imagens impactantes, movidas por um furor histórico estonteante, onde a nudez e o sangue se interligam em cores fortes, em contraste com a imagem barroca de reconstrução de época. Ao assistirmos ao filme, quase que sentimos o cheiro do sangue, o cheiro dos corpos, prontamente preparados para trazer líquidos seminais no meio da guerra e da intolerância.
Isabelle Adjani é a uma bela e sensual rainha Margot, impregnando ao personagem a malícia, a intriga e o romantismo passional que afloram em tão inesperada personagem, uma sobrevivente de um destino político e dos acordos que revelam os bastidores sórdidos do poder que sustentaram as monarquias absolutistas nos primórdios dos estados modernos.
A Rainha Margot traz para o cinema um jeito psicológico de contar um épico histórico. Fascina pelas personagens ambíguas e desprovidas de uma moral vigente, de uma consciência aquém do poder e da ambição humana.

Um Cartaz Coberto de Sangue

Patrice Chéreau enche de beleza a paisagem humana, totalmente violada pelas atrocidades da guerra civil e dos envenenamentos provocados pela ambição do poder, onde o corpo perfeito desfaz-se, definha-se ao sabor do veneno.
Com as suas externas gravadas em Portugal, no Convento de Mafra, Chéreau usou vários modelos lisboetas como figurantes, dando uma idéia de perfeição estética aos rostos e corpos atrás dos protagonistas, quase que a vislumbrar ao ideal grego. No famoso convento português, a França do século XVI renasce em uma paisagem barroca.
O uso do sangue a marcar certas cenas pode ser visto já nos cartazes dos filmes, que

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