Ética e desenvolvimento sustentável

Páginas: 23 (5574 palavras) Publicado: 7 de novembro de 2011
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Conferência. “Ética e desenvolvimento sustentável: caminhos para a construção de uma nova sociedade”
No início de novembro de 2004, o Sistema FIERGS
em parceria com o SESI e com o apoio da ONU,
através do Escritório das Nações Unidas contra
Drogas e Crime (UNODC); da UFRGS, através do
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e do
Curso de Especialização em Projetos Sociais eCulturais; e da PUCRS através da Faculdade de
Serviço Social, realizou a 1ª Conferência
Internacional de Gestão Social com o objetivo de
discutir a eficácia das políticas sociais dos poderes
públicos, das empresas e organizações não
governamentais. Entre os palestrantes convidados
estavam Humberto Maturana e Ximena Paz Dávila.
O texto da conferência foi traduzido pela Profa.
Karla Demoly.Maturana:
Agradecemos pela confiança que têm ao estarem
dispostos a escutar o que vamos dizer. A verdade é
que para nós esta apresentação é uma aventura já
que aborda o tema do social, porém podemos dizer
que faremos uma reflexão epistemológica. Tenho a
impressão que durante alguns dias vocês discutiram
o social na perspectiva de uma ação propriamente
dita. Nós não temos um trabalho no espaço
daação social, ainda que na relação com nossa
mãe, nós já tenhamos um sistema social. Não
aprenderíamos qualquer coisa, não aprenderíamos
a não ser a partir da sensibilidade dessa primeira
interação social. Talvez minhas preocupações pelo
social advêm das experiências sociais que vivi
acompanhando-a muitas vezes em seu trabalho.
O que nos propomos fazer é uma reflexão
epistemológica. O quevamos apresentar, Ximena e
eu, são idéias que possibilitam fazer essa reflexão.
Para começar, gostaria de me apresentar. Se pensarmos
em Maturana: Maturana, teria seguramente
muitas coisas que tenho escrito a mostrar para
todos e para todas e não teria o que fazer. Certamente
o que tenho escrito tem tido uma recepção
muito carinhosa no Brasil evidenciada na correspondência
a mimendereçada. Quando digo que
sou biólogo, o que é certo é que sou uma pessoa
interessada pelo viver dos seres vivos desde pequenos
e toda esta articulação é minha profissão. A
relação com a biologia pode levá-los a pensar no
perigo de uma reflexão um tanto restrita. Porém,
estou convidando-os a pensar de uma maneira um
pouco mais ampla.
Em 1999 nos encontramos Ximena e eu,
falava da Biologia do Amor,dizia que o amor é
central na convivência. A maior parte dos sofrimentos,
senão a totalidade dos que afligem os seres
humanos, tem que ver com a negação do amor.
E quando perguntavam: – O que fazer? Bem, eu
dizia: a primeira consigna é o amor. - E como se
faz isso? Eu dizia: ame! E é claro, nada entendiam
do que eu queria dizer. O que eu queria dizer não
é como Jesus que se levantava edizia: Amai-vos
uns aos outros! Eu não sei o que entendiam na
época em que eu formulava esta idéia. O que parecia
é que as pessoas não compreendiam o que é
isto de amar.
Em algum momento de minhas conversações
com Ximena, ela me conta o que faz em seu
consultório. Disse-me que tinha observado que toda
dor, todo pedido de ajuda é de origem cultural,
esta cultura em que vivemos, esta culturapatriarcal/
matriarcal na qual estamos imersos. Falou-me
ainda que os dois âmbitos, o âmbito biológico e o
âmbito cultural podem dar conta do nosso viver.
Diante disso, disse: claro! Fiquei pensando que o
que havia me dito era algo crucial. A afirmação de
que a dor é de origem cultural é fundamental. É
fundamental porque parece que os estudos sobre a
dor não priorizam a referência a umadinâmica
relacional. A dor faz referência à possibilidade que
este ser tem de viver esta dinâmica relacional. O
que surge a uma pessoa revela a trama relacional
à qual pertence, trama que também origina a dor.
A partir das conversações que fizemos, sobre este
ponto, é que ela se deu conta de que é o mesmo
Conferência: ÉTICA E DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL – CAMINHOS PARA A
CONSTRUÇÃO DE...
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