Ética tipologia da aventura e do trabalho

Páginas: 5 (1192 palavras) Publicado: 5 de abril de 2013
A Tipologia da Aventura e do Trabalho

Texto de Sergio Buarque de Holanda

Quando Sérgio Buarque se propõe a discutir os contrastes entre uma ética protestante e uma ética católica, mais especificamente lusitana, recorre ao livro clássico de Max Weber, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Neste livro, o autor de Raízes do Brasil encontra subsídios para uma discussão em torno de umethos particular do capitalismo, que não teria se inserido na colonização portuguesa.

A ética protestante se peculiariza por exaltar o "trabalho" como um meio de aproximação do homem para com Deus. Além disso a vocação para o trabalho secular é vista como expressão de amor ao próximo. O trabalho não só une os homens, como proporciona aos mesmos a certeza da concessão da graça. Diferentementedo catolicismo, para o protestantismo a única maneira aceitável de viver para Deus não está na superação da moralidade secular pela ascese monástica, mas sim no cumprimento das tarefas do século, impostas ao indivíduo pela sua posição no mundo.

Logo, o efeito da Reforma, em contraste com a religião católica, foi engrandecer a ênfase moral e o prêmio religioso para com o trabalho secular eprofissional. Constitui-se assim uma moral vinculada ao culto do trabalho. Este deve ser executado como um fim em si mesmo, como uma "vocação" que só pode ser encontrada através de um longo processo de Educação. O homem deve trabalhar, independentemente das condições impostas pelo tipo de serviço que executa, para ter a certeza de sua proximidade com Deus.
|"Pois o eterno descanso da santidade'encontra-se no outro mundo, na terra, o homem deve estar seguro do seu |
|estado de graça', trabalhar o dia todo em favor do que lhe foi destinado. Não é pois o ócio e o prazer, mas |
|apenas a atividade que serve para aumentar a glória de Deus, de acordo com a inequívoca manifestação da sua |
|vontade".|
|(WEBER, 1989, p, 112) |


O trabalho ocupa um lugar fundamental na ética protestante. Constitui a própria finalidade da vida. O ócio e a preguiça são encarados como um sintoma da ausência do estado de graça. Não basta apenas ganhar dinheiro, ou seja, o trabalho exercido não pode sero do tipo "aventureiro", político ou especulativo. Max Weber distingue muito bem a ética do capitalismo "aventureiro" da ética do capitalismo racional.

O acúmulo de riquezas que não se baseasse no ethos de uma organização racional do capital e do trabalho não poderia se adaptar ao ideário protestante. Mesmo enriquecendo, o indivíduo não pode se sujeitar ao ócio para viver de renda ouespeculação. O protestantismo lega ao trabalhador que enriquece uma responsabilidade moral que o inibe a consumir o luxo. Para Max Weber, mesmo que o protestantismo tenha tentado inibir o abandono da ascese por parte do homem que teria enriquecido, esse ethos, voluntária ou involuntariamente, serviria de estímulo ao crescimento do capitalismo.
|"Mas o que era ainda mais importante: a avaliação religiosa doinfatigável, constante e sistemático labor |
|vocacional secular, como o mais alto instrumento de ascese, e ao mesmo tempo, como o mais seguro meio de |
|preservação da redenção da fé e do homem, deve ter sido presumivelmente a mais poderosa alavanca da expressão |
|dessa concepção de vida que aqui apontamos como espírito do capitalismo".|
|(WEBER, 1989, p. 123) |


Weber estabelece no final do seu livro uma comparação que se assemelha à que Sérgio Buarque empreenderá em Raízes do Brasil. Para o primeiro autor o início da colonização norte-americana produz dois tipos de trabalhadores: os "adventures", que organizaram as plantações...
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