TERRITÓRIOS SOCIAIS E POVOS TRADICIONAIS NO BRASIL

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TERRITÓRIOS SOCIAIS E POVOS TRADICIONAIS NO BRASIL: POR UMA ANTROPOLOGIA DA TERRITORIALIDADE

Jeferson do Nascimento Machado

Little, Paul. Territórios Sociais e Povos Tradicionais no Brasil: por uma antropologia da territorialidade. Brasília: Universidade de Brasília, Série Antropologia nº 322, 2002.


INTRODUÇÃO
O conceito de povos tradicionais carrega um peso empírico e político.A opção pela palavra povos em vez de grupos, comunidades, etc. Coloca o conceito no debate sobre direitos dos povos.
A opção pela palavra “tradicional” que muitas vezes é confundida com a idéia de atraso econômica, político e social, está mais ligada ao tradicional no sentido dado por Salins (1997) onde mostra a tradição como movimento de transformação.
O uso de conceito povos tradicionaisé aplicado no conjunto de fatores como propriedade comum, ligação de povo e lugar, luta pela autonomia cultural e ligação sustentável com o meio ambiente.
A diversidade social do Brasil é acompanhada de uma grande diversidade fundiária. Essa diversidade fundiária inclui áreas como: sociedades Indígenas, terras de preto, terras de santo. Esses grupos humanos são colocados nas seguintescategorias: “populações”, “comunidade”, “povos”, “sociedade”, “cultura” _Cada uma pode ser acompanhada dos adjetivos: “tradicionais”, “autóctones”, “rurais”, “locais”, “residentes”.
Até recentemente a questão da diversidade fundiária no Brasil tinha pouco reconhecimento do Estado. A renovação da teoria da territoriedade na antropologia parte da abordagem que considera o território como parte integraldo grupo. Existe uma identificação entre povo e território, uma ligação de memória social. O território passa a ser um produto histórico que vem sendo reafirmado ao longo do tempo.

AS ONDAS HISTÓRICAS DE TERRITÓRIALIZAÇÃO NO BRASIL

O Brasil sofreu grandes transformações territoriais desde a chegada dos portugueses. O choque entre portugueses e índios com certeza é uma historia territorial.Foram inúmeras frentes de expansão territoriais no Brasil colonial imperial. Bandeirantes, ocupando a Amazônia e escravizando os índios no século XVII e XVIII, o estabelecimento das plantions açucareira e algodoeiras no nordeste, baseado no uso de escravos; expansão das fazendas de gado no sertão do nordeste e as frentes de migração mineiras em Minas; a expansão nas lavouras de café nosudoeste século XVIII, XIX.
A resistência ativa, tanto de índios como de escravos, tiverem uma contribuição grandiosa na manutenção do controle territorial, essas resistências ajudaram na constituição de grupos sociais.
O resultado geral do processo de expansão foi à instalação da hegemonia do Estado-nação. Apesar do processo de expansão não ter sido completo o Estado se impôs sobre toda a área doBrasil, assim então as outras territoriedades forçaram-se a confrontar-se com o Estado. Historicamente o Estado tem sido uma força opressora aos povos, pois o Estado em sua bestialidade tirânica teme os povos que vivem de forma comunitária, logo que o modo de vida desses povos contradiz o Estado, diga-se capitalista.

O ESTADO FRENTE À RAZÃO HISTÓRICA

O Estado-nação surgiu no século XIX,com o propósito de um total controle da territoriedade. A hegemonia “contaminou” as ciências sociais contemporânea ocultando os outros territórios tradicionais. Essa ideologia territorial do Estado-nação é nacionalista e prega a soberania, controlando assim os grupos tradicionais e até eliminando-os.
O Estado divide a terra em: Terra privada e publica. A privada traz a lógica capitalista setornando mercadoria, já a publica está sobre controle do Estado.
O Estado vê no privado e publico uma razão instrumental. Anibal Quijano em contraposição a ideologia do Estado nação identifica uma razão histórica, que mesmo atacada pela ideologia dominante ajuda na resistência dos povos tradicionais. Um laço de povo e território construído historicamente através de uma memória social faz com...
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