O valor da inutilidade

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O VALOR DA INUTILIDADE: A FILOSOFIA NA FORMAÇÃO DO ADMINISTRADOR.

Alexandre Marinho Teixeira[1]
Ana Claudia Suszek[2]
Karin Sell Schineider Teixeira[3]
Maria Emília Meira Lima[4]
Isolete Paim Dutra[5]

RESUMO
O presente artigo traz a tona mais elementos sobre a influência do positivismo na educação, em especial na formação do administrador. Trabalha a questão da filosofia como umaproposta criticista entre os dogmas na administração pautados na utilidade imediata e no ceticismo com relação ao conhecimento humanístico. Perpassa a discussão sobre a contextualização da filosofia nos currículos de Administração, como agente desenvolvedor do pensamento crítico e de uma visão mais humanística, uma educação para o pensar, como elemento importante para uma formação mais integral eholística do administrador contemporâneo. O artigo se constitui a partir de um referencial teórico filosófico e de estudos correlativos à área da Administração, utilizando-se ainda de uma pesquisa junto a uma Instituição de Ensino Superior particular na região Oeste do Paraná, para sustentar o artigo e buscando conhecer mais sobre a percepção dos alunos a respeito da Filosofia dentro da administração..

Palavras-chave: Formação do Administrador, Filosofia, Ensino de Humanidades, Reflexão Crítica.

INTRODUÇÃO

A educação permeia todos os campos da vida humana: trabalho, família, vida social, igreja, mídias etc; seja aprendendo ou ensinando, ou ambos. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver todos os dias a educação se mistura com a vida. E faz isso de várias formas, sem ummodelo único e estático. Sendo assim pode-se dizer que a educação é um processo natural que acontece por várias mãos em uma sociedade pedagógica, conforme definição de Brandão (1981). No caso dos cursos de Administração isso se evidencia na junção de vários interesses em torno da universidade: o da formação profissional – onde as empresas e o mercado desempenham papel ativo no desenho doprofissional necessário; o da sociedade – onde as questões socioculturais demandam pensamento crítico e ético diante das diversas situações contemporâneas; e por fim, o interesse do homem – e suas relações interpessoais, tão valorizada nos tempos atuais.

A história da educação mostra como esta sempre se preocupou com determinado tipo de homem e suas imagens ideais, variando pelas diferentesexigências de cada contexto histórico. O administrador do passado vivia um momento histórico de um Brasil repressivo e de um capitalismo monopolista. Neste contexto, a necessidade de formação calcadamente técnica, especialista e burocrática tornava-se imprescindível, suscitada principalmente pelos processos de desenvolvimento, onde este significava industrializar-se (COVRE, 1991).

Aadministração vem passando por uma série de questionamentos a respeito de sua forma de agir na sociedade. Estamos testemunhando uma mudança do paradigma da engenharia (as pessoas são habilidades que devem ser administradas e exploradas) para o paradigma humano, onde as pessoas são incitadas a realizarem seus objetivos. A universidade precisa buscar uma formação para a totalidade, preparando os “líderes deamanhã para o mundo real dos negócios” e não apenas administradores de recursos materiais, humanos e financeiros. Deixar de formar administradores de “coisas” e formar profissionais para “arte de liderar pessoas” (SECRETAN, 1989, p.26).

As atuais discussões apontam vários caminhos, entre elas encontra-se a ideologia de um administrador que é formado dentro de uma ideologia neocapitalista, ondeele é mais um ator a serviço do capital (COVRE, 1991). Outra grande vertente, e o enfoque maior deste artigo, pende para uma maior humanização do administrador, onde o ensino de humanidades –como a filosofia e a sociologia – desempenham papel fundamental para a criação de uma melhor consciência crítica e ação transformadora perante os acontecimentos e as relações sociais (CHANLAT, 1996;...
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