O uso do crac. um problema restrito as metropoles

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  • Publicado : 9 de maio de 2012
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RESUMO

OBJETIVO: Caracterizar a situação do uso de crack na cidade de São Paulo,
assim como o perfi l sociodemográfico de seu usuário.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS: Estudo qualitativo etnográfico com amostra intencional de usuários (n=45) e ex-usuários de crack (n=17). Os participantes foram recrutados pela técnica de amostragem em cadeias e responderam a uma entrevista semi-estruturada,direcionada por questionário, durante os anos de 2004 e 2005. O conjunto de cada questão e suas respectivas respostas originou relatórios específicos que foram interpretados individualmente.
ANÁLISE DOS RESULTADOS: O perfil predominante do usuário de crack foi ser homem, jovem, solteiro, de baixa classe socioeconômica, baixo nível de escolaridade e sem vínculos empregatícios formais. O padrãode uso mais freqüentemente citado foi o compulsivo, caracterizado pelo uso múltiplo de drogas e desenvolvimento de atividades ilícitas em troca de crack ou dinheiro. Entretanto, identificou-se o uso controlado que consiste no uso não-diário de crack, mediado por fatores individuais, desenvolvidos intuitivamente pelo usuário e semelhantes, em natureza, às estratégias adotadas por ex-usuários para oalcance do estado de abstinência.
CONCLUSÕES: A cultura do uso de crack tem sofrido mudanças quanto ao padrão de uso. Embora a maioria dos usuários o faça de forma compulsiva, observou-se a existência do uso controlado, que merece maior detalhamento, principalmente quanto às estratégias adotadas para seu alcance.
DESCRITORES: Cocaína Crack. Transtornos Relacionados ao Uso de Substâncias,prevenção e controle. Fatores Socioeconômicos. Conhecimentos, Atitudes e Prática em Saúde. Pesquisa Qualitativa.
INTRODUÇÃO

O primeiro relato de uso de crack na cidade de São Paulo ocorreu em 1989.7 O perfil do usuário de crack,
descrito pela primeira vez por Nappo et al,17 foi identificado como homem, jovem, de baixa escolaridade e sem vínculos empregatícios formais. Em função dos efeitos docrack, era raro que os usuários consumissem-no uma única vez, prolongando o uso até que se esgotassem física, psíquica ou financeiramente.17,18 Em consonância com a realidade norte-americana,10,11,20 o pensamento dos usuários foca-se no consumo de crack de forma que sono, alimentação, afeto, senso de responsabilidade e sobrevivência perdem o significado. Em artigo de Nappo et al,18 observou-se queem função da sensação de urgência pela droga e na falta de condições financeiras, o usuário via-se forçado a participar de atividades ilícitas (tráfico, roubos e assaltos). Tal situação piorou com a inclusão das mulheres na cultura que, ao trocarem sexo por crack ou dinheiro, submetiam-se ao risco de infecção por HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST).18 Consideradas em conjunto,tais atitudes têm interferido negativamente sobre a saúde e funcionamento social do usuário de crack de forma a marginalizá-lo, tanto no contexto micro (como nas redes de uso) quanto macrossocial (comunidades e sistemas de serviço).
Embora a situação seja alarmante, nos Estados Unidos tem-se identificado a existência do uso controlado de
crack, caracterizado como um consumo a longo-prazo,não-diário e racional, em que o usuário, por meio de
estratégias de autocontrole, não tem permitido que a necessidade pela droga governe sua vida.8 No Brasil, em princípio, esse uso controlado não havia sido detectado entre os usuários de crack.17,18 O uso de crack persiste em território brasileiro,b apesar dos graves problemas que causa a quem consome, como marginalidade, criminalidade e efeitosfísicos e psíquicos devastadores.
a Nappo SA, Sanchez ZM, Oliveira LG, Santos SA, Coradete Jr, Pacca JCB, Lacks V. Comportamento de risco de mulheres usuárias de crack em relação às DST-AIDS. São Paulo: Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas; 2004.
b Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - CEBRID. II Levantamento Domiciliar sobre o uso de drogas...
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