O uso do balão de contrapulsação da aorta: proposta de um plano assistencial

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  • Publicado : 8 de março de 2011
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INTRODUÇÃO

O Balão Intra-Aórtico (BIA), é um dispositivo de assistência circulatória mecânica, em série de contrapulsação, capaz de reduzir a pós carga e a pressão diastólica final do ventrículo esquerdo, aumentando a perfusão coronária devido, o aumento da pressão diastólica na aorta. Como resultado ocorre melhora do débito cardíaco (FEREZ, 2004)

Segundo Benício et al (1999), o BIAé utilizado com grande freqüência em pacientes que apresentam disfunção ventricular grave após máxima terapêutica medicamentosa. Entretanto, mesmo com o aperfeiçoamento das técnicas de inserção percutânea, o procedimento não está isento de complicações vasculares, infecciosas e neurológicas.

O BIA infla durante a diástole e desinfla antes da sístole cardíaca. Sua localização é na aortatorácica descendente perto da artéria subclávia esquerda, ao inflar ele oclui 80 a 90% da aorta, ou seja, existe um deslocamento de sangue tendo um aumento da perfusão coronária. Essa etapa é durante a diástole.

Ao desinflar ocorre uma redução do trabalho ventricular esquerdo, diminuindo a pós carga, essa etapa é antes do início da sístole. As duas etapas citadas devem ocorrer em sincronismocom o ciclo cardíaco e tem que ser monitorado continuamente por um eletrocardiograma (ECG) e por uma pressão arterial (PA).

Podemos dizer que com a inflação existe um aumento da pressão diastólica aórtica podendo ser observado um segundo pico da mesma, que resulta no aumento da pré carga. (KAHN, 2004)

O BIA faz as suas duas etapas conforme o ciclo cardíaco, se as etapas ocorrerem demaneira correta, terá como efeito primário o aumento do suprimento de oxigênio ao miocárdio. Como efeito secundário ocorrerá, o aumento do débito cardíaco, aumento da pressão arterial de perfusão coronária e sistêmica, a diminuição da freqüência cardíaca, pressão de oclusão da artéria pulmonar e da resistência vascular sistêmica (RVS). (DONELLI, 2002)

Quando existe um infarto agudo domiocárdio (IAM) evoluindo para um choque cardiogênico podemos citar como a principal causa de morte, desse tipo de paciente, chegando a uma taxa de mortalidade de 60 a 70%. O uso do BIA veio com efeitos favoráveis, tendo uma redução significativa nessa taxa (CHEN, 2003)

O cateter do balão é inserido no paciente pelo médico, esse procedimento pode ser a beira leito na UTI ou na hemodinâmica, emalgumas situações mais complicadas pode até ser no centro cirúrgico. Utiliza-se para esse procedimento a Técnica de Seldinger, sendo geralmente introduzido o cateter pela artéria femural. Sua retirada também é feita pelo médico conforme as condições clínicas dos pacientes (AULER, 2004)

O lúmem distal fica localizado na porção torácica da aorta, já o lúmem proximal é conectado ao console doBIA, onde entra e sai o gás hélio responsável por inflar e desinsuflar.

Um dos cuidados principais com o BIA é verificar se todos os eletrodos estão conectados de forma correta no paciente, além disso é necessário muita atenção com o gás hélio, para que o mesmo nunca esvazie, mantendo assim o funcionamento adequado do BIA, dentro do ciclo cardíaco.

O BIA é indicado em diversas situaçõesclínicas, descritas por KAHN, (2004) descritas a seguir: Suporte para IAM, Complicações mecânicas do IAM, Suporte e estabilização no cateterismo cardíaco, Suporte para cirurgia cardíaca, Suporte para saída de circulação extracorpórea, Angina Instável refratária, Falha ventricular refratária, Arritmias intratáveis, Uso no pré operatório de cirurgia de revascularização miocárdica, associada adisfunção ventricular grave, Uso no choque cardiogênico no pós-operatório de cirurgia cardíaca.

Existem também as contra-indicações para o BIA, podemos citar:

• Insuficiência Aórtica Severa;

• Aneurisma Abdominal e ou Aórtico;

• Danos Irreversíveis ao cérebro ou morte-cerebral;

• Doença terminal em previsão de recuperação;

• Presença de dissecção da aorta;...
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