O teatro no brasil, companhias arena e oficina, renovação artistica e movimento social politizador

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  • Publicado : 24 de agosto de 2011
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Fernando Henrique Casalunga

INTRODUÇÃO

Esse trabalho é resultado de uma pesquisa que desenvolvemos ao longo do curso de Graduação em História, da Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho de Franca, sob a orientação do profª.Drª. Rita de Cássia Biason, e que diz respeito ao Teatro Brasileiro e sua influência social no Brasil durante o período ditatorial.Inicialmente nos ocuparemos da natureza do movimento teatral no Brasil desde sua fundação e posteriormente analisaremos a presença de grandes grupos populares e intelectuais burgueses dentro do mesmo movimento. O problema a ser enfrentado refere-se à qualificação destes como tradutores de uma nova cultura política através da manifestação artística popular destes grupos teatrais, frente a um cenário derecursos escassos.
Portanto é evidente a dificuldade em elaborar um documento parcial da literatura conhecida, devido à grande mescla de identidades o qual assume o movimento.
Analisaremos o período em que é possível notar o desenvolvimento cultural e artístico do teatro no Brasil, pré Ditadura militar, e durante a mesma. Período este que os militares procuraram impor a censuraprévia a autores e encenadores, levando o teatro a um retrocesso produtivo, mas não criativo. Porém analisar a trajetória profissional desses grupos e seus artistas, sob o aspecto da ditadura militar, seria buscar legitimar o marco definidor da memória histórica acerca de teatro contemporâneo brasileiro: o ano de 1964 em diante, como ressalta Carlos Vesentini[1]
Analisaremos o período emque é possível notar o desenvolvimento cultural e artístico do teatro no Brasil, pré Ditadura militar, e durante a mesma, período em que os militares procuraram impor a censura prévia a autores e encenadores, levando o teatro a um retrocesso produtivo, mas não criativo. Porém analisar a trajetória profissional desses grupos e seus artistas, apenas sob o aspecto da ditadura militar seria um erro,implicaria na redução do campo de análise, a falha estaria em tentar buscar legitimar um marco definidor da memória histórica acerca do teatro contemporâneo brasileiro: o ano de 1964 em diante, como ressalta Carlos Vesentini em sua obra “A Teia do Fato”.
Procuramos não incorrer neste mesmo erro, isto reduziria as possibilidades para investigação, a renovação na linguagem artística quepretendemos demonstrar foi capaz de representar as crises sócio-econômicas em que o país se encontrava. As lutas estavam sendo construídas antes mesmo do período da ditadura, tais como; reforma agrária; participação político-social; distribuição de renda; dentre outras que situavam a apreensão de alguns setores do Brasil. É objetivo deste estudo, analisar o discurso utilizado pelos integrantes destesgrupos teatrais e outros artistas ao longo dos anos sessenta, grupos que estavam preocupados em fazer da produção cultural um instrumento efetivo na luta social. Tal fenômeno é latente desde os movimentos orquestrados da Semana de 22 em território nacional, passando pelas criações Antropofágicas de Oswald de Andrade, obras violentas como as de Plínio Marcos, Mário de Andrade, Máximo Gorki e outros. “Afilosofia trata de abstrações, a matemática de números, mas o teatro trata de indivíduos.” [2]
Prova disso é que nunca houve tantos dramaturgos atuando simultaneamente quanto no período ditatorial, quando os indivíduos proletários não encontravam eco para suas vozes e reivindicações a arte cênica levou a cabo uma linguagem contestatória e politizadora. É notória a falta de recursosfinanceiros por que perpassam as companhias teatrais em geral, alem da ausência em primeira instância de local para manifestação cultural, tudo as condições de penúria material pelo qual passava o teatro naquele momento deixavam a cultura a mercê do capital empresarial.
Grandes teatros foram embargados, ou até mesmo queimados, caso do Oficina; outros transformados em cinemas e proibidos de...
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