O sumo bem e as virtudes em aristóteles e a moralidade em kant

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  • Publicado : 10 de março de 2011
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1. O sumo bem e as virtudes em Aristóteles
O pensamento de Aristóteles faz parte das morais teleológicas (o objectivo da moral é alcançar uma vida boa, virtuosa e feliz) do tipo eudemonismo - segundo o pensamento eudemonista, o homem deve afastar o sofrimento para alcançar a felicidade e para ser feliz, o homem deveria experimentar somente a vivência constante de situações que lhe gerembem-estar. Em sua Ética Aristóteles preocupa-se com o bem humano. Entretanto, esse bem é determinado por dois fatores: o primeiro se refere à natureza humana, um fator bastante constante, que se constitui de uma série de elementos corporais ligados a uma forma dinâmica por ele chamada de alma (psyché, donde se origina o adjetivo psíquico). O segundo, se constitui de um fator variável, o conjunto decircunstâncias concretas, chamadas pelos gregos de ocasião.
Como a Ética é uma ciência que se ocupa de assuntos passíveis de modificação, ela se dá na relação com o outro. Para determinar o bem que caracteriza a atividade própria dos humanos Aristóteles analisa as distintas funções do composto humano. A primeira delas é a vida. Mas a vida é comum aos homens, aos animais e as plantas. A segundafunção é sentir. Mas sentir é comum aos humanos e aos animais. A terceira função é a razão. E esta é que distingue os seres humanos de todos os viventes inferiores. Portanto, a razão é a principal característica do ser humano. A razão deve dirigir e regular todos os atos humanos. E nisso consiste essencialmente a vida virtuosa. E, para o filósofo, o fim último de uma vida virtuosa é ser feliz,sendo que, o homem pode atingir a felicidade praticando plenamente as suas capacidades, isto é, aperfeiçoar-se como homem, colocando como a condição de todo o uso da razão, isto é, a racionalidade, “o homem que quer viver bem deve viver sempre segundo a razão”.
Ora, para Aristóteles, o sumo bem é a felicidade. Porém, o sumo bem não é uma respostanecessária ao problema da racionalidade das ações. Neste ponto, Aristóteles parece confundir bem em si mesmo com sumo bem. A felicidade, como sumo bem, é um bem em si mesmo, mas nem todo bem em si mesmo é o sumo bem. Quer dizer, enquanto há apenas um único sumo bem, a felicidade, há diversos bens em si mesmos que tornam racional o nosso desejar. Por exemplo, Aristóteles afirma que honra, prazer,razão e todas as virtudes são coisas que escolhemos por si mesmas. Sendo assim, quando visamos à pratica da virtude, o nosso desejar já não poderá ser mais inútil ou vão, pois ele terá em mira um bem em si mesmo, o que impede o regresso ao infinito. Em suma, a felicidade, como sumo bem, não seria requerida para dar sentido ao agir humano. Bastaria um bem em si mesmo como a virtude. De fato, écaracterística de um bem em si mesmo que ele não funcione como um meio para outro fim diferente dele. E isso parece ser tudo que precisamos para dotar de racionalidade o nosso desejar.
Na definição de Aristóteles sobre a felicidade fica claro que, o homem alcança ou tem tanta felicidade na medida que desenvolve as virtudes, bom senso e capacidade de agir racionalmente.Por isso, Aristóteles define a felicidade em: “a felicidade é uma atividade da alma conforme a virtude perfeita...”.
A alma em Aristóteles tem uma parte racional e a outra privada de razão, e que esta última por sua vez tem a sua subdivisão. Com esta concepção de Aristóteles podemosafirmar que na sua definição da felicidade a atividade da alma que ele refere é a razão, ou seja, a racionalidade. Podemos dizer então, que no pensamento de Aristóteles a felicidade consiste no homem praticar as suas capacidades com base no uso da razão conforme um hábito perfeito, sendo a virtude o habito que torna o homem bom e que com esse habito permite o homem cumprir bem a sua tarefa....
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