O sono como influenciador no trabalho de enfermagem

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  • Publicado : 24 de fevereiro de 2013
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INTRODUÇÃO





Nas duas últimas décadas, vem se observando um incremento de publicações relacionadas à saúde dos trabalhadores de enfermagem. No entanto, estas não são suficientes para caracterizar de forma quantitativa e qualitativa os problemas específicos que emergem da relação entre o trabalho de enfermagem e a sua organização.


A maioria destes estudos aborda estatemática e esbarra nos limites do paradigma positivista, fundamentados na concepção hegemônica multifatorial do Processo Saúde-Doença (PSD). Assim, registram a simples ocorrência da doença e exploram os riscos ocupacionais como agentes existentes no ambiente de trabalho, buscando identificar uma relação de causa e efeito. Os estudos que buscaram ir além, não evidenciaram a gênese no coletivo detrabalhadores, ou não abarcaram a totalidade da relação trabalho de enfermagem e saúde dos trabalhadores (LAURELL, 1989).


Essa relação se expressa no corpo biopsíquico dos trabalhadores de enfermagem pelo desgaste por eles sofrido, provocado pela exposição às cargas de trabalho geradas nos processos de trabalho.Como tal, sempre se esperou que os enfermeiros respondessem à obrigaçãode cuidar fosse em que circunstâncias fosse (SALVAGE, 1990).


Tendo em vista a preocupação com os trabalhadores de enfermagem, nesta pesquisa evidencia-se, mais especificamente, a influência do sono na qualidade de assistência em enfermagem, tendo como foco do estudo analisar a organização e as condições de trabalho das equipes de enfermagem.


















2.TRABALHO DE ENFERMAGEM E O ESTRESSE





O trabalho de enfermagem foi por muito tempo considerado caritativo e sem prestigio, muito semelhante ao trabalho doméstico desempenhado pelas mulheres em casa, pois não exigia nenhum conhecimento ou treinamento técnico (SILVA, 1986).

Para Laurell, 1989, o processo de trabalho refere-se à transformação da natureza e de si mesmo,realizada pelo homem, visando a obtenção de um objeto útil, cujos elementos essenciais são o próprio trabalho, o objeto a ser transformado e os instrumentos necessários para essa transformação.
O mesmo autor ressalta que, o estudo da relação “processo de trabalho” e “saúde dos trabalhadores” requer a análise das formas históricas que o processo de trabalho assume no capitalismo, assim comoa elaboração de teorização que contemple os conceitos necessários para possibilitar a análise dessa relação mencionada, ficando categorias analíticas capazes de contemplá-la.
Segundo Lopes (1988), a realidade mostra que o trabalho de enfermeiras e auxiliares de enfermagem é gerador de tensões, pois possui carga excessiva de trabalho e remuneração defasada. Fato relevante, na medida emque o trabalho dos profissionais de enfermagem é referido; por diversos autores, como estressante, destacada como uma das profissões passíveis de desenvolvimento da síndrome de Burnout ―fase mais avançada do estresse que leva ao esgotamento― a qual se refere a um tipo de estresse ocupacional e institucional com predileção para profissionais que mantêm relação constante e direta com outras pessoas,principalmente, quando esta atividade é considerada de ajuda. (SILVA, 2006 apud BALLONE, 2004).
De acordo com Murofuse, Abranches e Napoleão (2005, p. 259) a enfermagem foi classificada pela Health Education Authority como a quarta profissão mais estressante, no setor público, que vem tentando profissionalmente afirmar-se para obter maior reconhecimento social. (SILVA, 2006).O estresse pode ser definido como um desgaste geral do organismo, causado pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando o indivíduo é forçado a enfrentar situações que o irritem, excitem, amedrontem, ou mesmo que o façam imensamente feliz (LIPP, 1999).
Podemos dizer que o stress é o nosso motor de ação, pelo que o podemos considerar positivo e agradável (eustress) ou negativo...
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